Reportagens Diocesanas
publicado em: 11/10/2019
A OMISSÃO É O CONTRÁRIO DA MISSÃO Dom Rubens Sevilha

A OMISSÃO É O CONTRÁRIO DA MISSÃO

     Jesus ordenou aos seus discípulos: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15) e, por isso, todo cristão é um missionário, isto é, um enviado de Deus para fazer o bem sempre, em todos os lugares, para todas as pessoas e criaturas.

     A nossa primeira missão é viver bem a vida que Deus nos deu. Não pedimos para nascer, mas Deus amorosamente quis nos criar e nos colocou neste mundo com uma missão: para sermos bons e fazermos o bem.  As várias vocações e caminhos pelos quais conduzimos nossa vida são apenas variações de uma única missão: viver fazendo o bem. Santa Teresinha, padroeira das missões, expressou isto muito bem em uma poesia onde diz que a vida é curta como um dia e o que importa é “Viver de Amor!”

    O Papa Francisco quer que “este Mês Missionário extraordinário seja uma sacudidela que nos provoca a ser ativos no bem. Não notários da fé e guardiões da graça, mas missionários. Torna-se missionário vivendo como testemunha: testemunhando com a vida que se conhece Jesus. É a vida que fala. Testemunha é a palavra-chave; uma palavra que tem a mesma raiz e significado de mártir. Viver espalhando paz e alegria, amando a todos, incluindo os inimigos, por amor a Jesus. Deste modo, nós que descobrimos ser filhos do Pai celeste, como podemos ocultar a alegria de ser amados, a certeza de ser sempre preciosos aos olhos de Deus? É o anúncio que muitas pessoas aguardam. E é nossa responsabilidade levá-lo. Neste mês, perguntemo-nos: Como é o meu testemunho?” (Papa Francisco, 1/10/2019).

    O missionário faz o bem a si mesmo cuidando da saúde e da própria vida espiritual; faz o bem a toda pessoa que cruzar o seu caminho, inclusive aos inimigos. Embora, para a pessoa verdadeiramente boa, homem algum será jamais considerado seu inimigo. Fazer o bem a toda criatura significa cuidar dos animais, das plantas, da terra, do ar, da água, enfim, ser bom para com todas as coisas criadas por Deus. Não basta sermos bons somente com algumas poucas pessoas ou bons apenas em alguns lugares (e monstros, por exemplo, no anônimo território selvagem da internet) ou bons somente em alguns momentos que nos interessam vivendo uma dupla personalidade.

    A Igreja foi fundada por Cristo para ser continuadora da sua missão, ou seja, ensinar, organizar e realizar o bem. Jesus nos deu o exemplo: “Ele amou até o fim” (João 13,1) e “Ele passou fazendo o bem” (Atos 10,38). Se o crime organizado faz barulho, imaginemos o poder do bem quando organizado. Infelizmente, todo tipo de divisão, até mesmo entre as igrejas cristãs, dificulta a realização do bem organizado. Em algum momento da história há de se realizar o pedido que Jesus fez ao Pai: “Que eles sejam um” (João 17,11).

    Concluamos com as palavras do Papa Francisco na abertura do Mês das Missões: “Viver de omissões é renegar a nossa vocação: a omissão é o contrário da missão. Pecamos por omissão, isto é, contra a missão, quando, em vez de espalhar a alegria, nos fechamos numa triste vitimização pensando que ninguém nos ama nem nos compreende. Pecamos contra a missão, quando cedemos à resignação e dizemos para nós mesmos: «Não consigo fazer isto, não sou capaz». Mas como é possível? Deus deu-te talentos, e tu te consideras assim tão pobre que não podes enriquecer ninguém? Pecamos contra a missão quando, num lamento sem fim, continuamos a dizer que está tudo mal, no mundo e na Igreja. Pecamos contra a missão, quando caímos escravos dos medos que imobilizam e nos deixamos paralisar pelo «sempre se fez assim». E pecamos contra a missão quando vivemos a vida como um peso e não como um dom; quando, no centro, estamos nós com as nossas fadigas, não os irmãos e irmãs que esperam ser amados.”

                 Dom Rubens Sevilha, OCD.