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Agricultura Familiar - Frei Luiz Iakovacz

 Agricultura Familiar

Não parece, mas é verdade: a Agricultura Familiar produz 70% dos alimentos que consumimos e emprega 40% das famílias do mundo. Por esse e outros motivos, a Organização das Nações Unidas (ONU), juntamente com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), declarou “2014, Ano Internacional da Agricultura Familiar”.

No Brasil, a lei nº 11.326/2006 diz que são agricultores familiares aqueles que possuem uma só terra, cujo tamanho varia de região em região (módulos fiscais). Nesta categoria, estão incluídos, também, os silvicultores (os que vivem na selva) os aquicultores (os que lidam com animais e plantas aquáticas), extrativistas e pescadores.

São muitas as vantagens: num pequeno espaço de terra, os agricultores

produzem os mais variados produtos e são, por eles mesmos, comercializados, sem os atravessadores; utilizam adubo orgânico que não interfere no ecossistema, preserva o meio-ambiente  e produz alimentos mais sadios; cultivam sementes crioulas; unem-se em cooperativas e fazem convênios com restaurantes e supermercados.

Em Xaxim, segundo informações da Prefeitura, há um projeto de construir um centro de comercialização. Aí funcionará, também, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal, que compra os produtos para merenda escolar. Este imóvel será construído no bairro Ari Lunardi, sob a coordenação da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Xaxim.

Por fim, a Bíblia nos diz que o homem cultivará a terra e, com o suor do rosto, ganhará o pão de cada dia (cf. Gn 3,19). Porém, pode acontecer que muitos não conseguem ter uma vida digna, apesar do “suor do rosto”, enquanto que alguns poucos ganham um bom dinheiro “sem suar a camisa”.

O alerta bíblico é muito oportuno: “Escutem aqui, exploradores dos pobres! Ao abrirem o armazém, vocês ficam maquinando de como vender o refugo do trigo, como diminuir as medidas e adulterar a balança, de como comprar o pobre e o necessitado por um par de sandálias. Deus não vai esquecer o que essa gente faz” (cf. Am 8,4-7).

“Ai daquele que constrói sua casa sem justiça e seus aposentos sem direito, que faz o próximo trabalhar sem dar-lhe pagamento” (Jr 22,13).

Ou ainda: “Não explore o assalariado! Pague-lhe o salário de cada dia e não o retenhas até o dia seguinte, porque ele é pobre e sua vida depende disso” (Dt 24,14-15).

A Bíblia é uma proposta de como podemos viver, justa e corretamente. Cabe a cada um de nós, assumi-la ou não.

Fraternalmente,

Frei Luiz Iakovacz (franciscano que foi pároco da Igreja Santa Clara em Bauru)