Palavra do Bispo
Alegrai-vos

 

            A Liturgia deste terceiro domingo do Advento nos convida à alegria, com o desejo de que dela nos venha a paz interior e a satisfação de viver e conviver. A inspiração é tirada da Carta de Paulo aos Filipenses que disse: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos... O Senhor está perto” (Fl 4,4-5). Essas palavras contêm o convite e a motivação. Por isso, a oração central da Missa de hoje consiste na súplica a Deus para que a alegria e a paz estejam em nossos corações, pois o Senhor que vem no Natal está próximo. Estou certo que você quanto eu desejamos ir ao encontro do Senhor.

            Na coroa do Advento, ascende-se hoje a terceira vela de cor rósea para simbolizar a alegria e o júbilo. Enquanto isso, na oração se diz: “Bendito sejais, Deus da alegria, pela luz de Cristo, sol de nossa vida, a quem esperamos com toda a ternura do coração”.  

             No Evangelho da Missa - Lc 3,10-18 - Lucas continua a falar de João Batista, a voz que clama no deserto, convidando as pessoas à conversão pelo batismo na água para o perdão dos pecados. Em vista da vinda do Messias e do seu Reino, as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?” João exigia, em resumo, a conversão pessoal e social. Por exemplo, dizia, os que têm reservas acumuladas repartam com os pobres; os agentes públicos deixem a prática da corrupção e sejam honestos; os soldados não pratiquem a extorsão contra a população, não tomem dinheiro alheio, não façam falsas acusações, contentem-se com os seus salários. Parece que as coisas não mudaram. Impressionante que todos esses abusos do tempo de João estão presentes ainda hoje entre nós e seus conselhos são atuais. Todos nós em geral ainda somos muito egoístas, a tendência em acumular bens e riquezas é muito forte, temos muita dificuldade em partilhar e dividir com os indigentes. Nossos agentes públicos, então, estão dando o maior espetáculo de corrupção como nunca se viu nesse país. João Batista pregava a necessidade da mudança, da conversão. Por isso, declarou a todos: “Eu batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua colheita e recolher o trigo no celeiro; mas a palha, ele a queimará no fogo que não se apaga”. Para bom entendedor meia palavra basta. Na perspectiva da chegada do Senhor, que Ele nos encontre preparados! Porque Ele fará justiça, separando bons e maus para dar a cada qual o que merecem segundo as suas obras.

            Partilhar bens e riquezas com os pobres é uma prática concreta da caridade, um imperativo categórico do amor a Deus e ao próximo. É obra de misericórdia. Em todas as circunstâncias a misericórdia era o móvel que impulsionava Jesus a dar resposta às necessidades das pessoas que o procuravam. Em virtude deste amor compassivo, por exemplo, Jesus curou os doentes que lhe foram apresentados (cf. Mt 14,14); com poucos pães e peixes, saciou grandes multidões (cf. Mt 15,37); vendo que a multidão de pessoas que O seguia estava cansada e abatida, sentiu, no fundo do coração, uma intensa compaixão por elas (cf.Mt 9,36). Enfim, o Papa Francisco afirma que “a missão que Jesus recebeu do Pai foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude... Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas decorrem sob o signo da misericórdia. Tudo n’Ele fala de misericórdia. N’Ele, nada há que seja desprovido de compaixão (Rosto da Misericórdia, 8). Por isso, o Papa conclui, dizendo que “A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que, por meio dela, deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa (idem, 12). Como a Igreja somos todos nós, os batizados, por consequência, também nós somos chamados a ser misericordiosos uns para com os outros.

            Como o Papa Francisco acabou de instituir o Ano Santo da Misericórdia, a Misericórdia será o signo a reger as intenções, atitudes e comportamentos dos cristãos, a pregação, missão e todas as ações da Igreja em 2016.

            Nossa Diocese definiu como objetivo geral para 2016 “Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja misericordiosa, missionária e libertadora/salvadora.

            Venha você, prezado leitor e leitora, tomar parte desta Ação Evangelizadora da nossa Igreja Diocesana, juntando-se aos irmãos e irmãs da Paróquia a que você pertence.

            Como Jesus nos ensina, empenhemo-nos para que em 2016 todos os nossos atos comecem com a misericórdia e terminem na misericórdia. No pensamento do Papa Francisco, a credibilidade da nossa fé passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo para com os pobres e sofredores (idem, 10). O Papa nos pede: ser missionários da misericórdia.