Reportagens Diocesanas
publicado em: 15/06/2019
CORPUS CHRISTI - POR DOM RUBENS SEVILHA, OCD

Na próxima quinta-feira, dia 20, celebraremos a grande festa do Corpo de Cristo. Tudo começou na última ceia, quando Jesus pegou o pão e disse: Isto é meu corpo; tomou o vinho e disse: Isto é meu sangue, e concluiu pedindo aos apóstolos: Fazei isto em minha memória (1 Cor 11,23-26). Há dois mil anos obedecemos a este pedido do Mestre e, todos os dias, na celebração eucarística (Santa Missa) repetimos as mesmas palavras e gestos de Jesus.

Embora a Eucaristia seja a “fonte e o cume da vida cristã” (LG 11) e, portanto, está na vida cotidiana da Igreja, a liturgia celebra uma solene festa especialmente dedicada ao Corpo de Cristo (Corpus Christi).

Tradicionalmente há três momentos que compõem esta festa: A celebração solene da Eucaristia, a procissão pelas ruas da cidade com o Corpo do Senhor e o encerramento com a bênção do Santíssimo Sacramento. Obviamente a celebração da Eucaristia é o ponto alto da festa, onde o pão e o vinho oferecidos ao Pai (ofertório) são acolhidos e transubstanciados (consagração) no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que serão recebidos como alimento espiritual por nós peregrinos caminhantes neste mundo (comunhão). Depois da missa saímos alimentados para a missão!

    A Eucaristia, portanto, nos reúne e nos une. As primeiras palavras que dizemos logo no início da missa, revelam a motivação pela qual estamos reunidos naquele espaço comum: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo. O que nos une não é a simpatia ou algum outro interesse afetivo ou interesse material, o que fundamentalmente nos une é o amor de Deus.

A procissão de Corpus Christi tem um significado profundo e especial. A procissão simboliza a caminhada do Povo de Deus rumo ao Pai. Ela tem um propósito e um rumo. O propósito que nos reúne é o desejo de caminharmos unidos no amor de Cristo em direção ao Pai. Ao levarmos o Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade estamos expressando visivelmente que o Senhor caminha conosco (Ele está no meio de nós!) e  nós queremos caminhar com Ele.

A tradição de enfeitar as ruas com artísticos desenhos e adornos expressa a importância daquele que irá passar por ali, é “estender o tapete vermelho” para Jesus passar. As ruas enfeitadas também expressam o nosso desejo de uma cidade mais bonita e um mundo mais florido. Sabemos que, por onde Deus passa, tudo se transforma e fica mais florido e luminoso. Uma cidade ou sociedade sem Deus tornam-se feias e caóticas. A violência é feia, o desemprego e a miséria são feios; a paz entre as pessoas e a vida digna para todos são coisas bonitas. O mal é sempre feio, o bem e a verdade são sempre belos. A fé é linda!

 A caminhada da procissão tem um rumo e um desfecho: ajoelhar-se em adoração diante de Jesus e receber a sua bênção. Quem se ajoelha diante de Deus, não se ajoelhará diante de nenhum outro poder humano, pois sabe que somente diante do Senhor Jesus todo joelho se dobrará. Tudo termina com a bênção de Deus, ou seja, com os braços abertos do Pai que acolhe a todos nós, seus filhos e filhas. A bênção do Santíssimo é um abraço carinhoso e um beijo de Deus que afaga seus filhos queridos que estão sofrendo. A bênção significa Deus nos falando ao coração: meu filho, não tenha medo, eu estou com você. Confia em mim, que eu lhe carrego nos meus braços. Nunca vou deixar você sozinho ou abandonado, estou sempre com você. Sou seu Deus.

Convido você para participar conosco deste momento espiritual na próxima quinta-feira, dia 20, às 16h30, iniciando na Igreja de Santa Teresinha e caminhando até a Catedral, na região central de Bauru.

 Dom Rubens Sevilha, OCD.

Bauru, 16 de junho de 2019.