Palavra do Bispo
Deus fez a Família

Outubro é mês missionário, mês das missões. No próximo dia 18 celebra-se o Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária. Os Evangelhos nos lembram que a Igreja, nascida da vontade do Pai, fundada neste mundo pelo Filho e animada pelo poder do Espírito Santo, é missionária. E que, como cristãos, somos todos por vocação discípulos missionários do Senhor, para segui-Lo e testemunhá-Lo e para encher a terra com as sementes do seu Evangelho.   

 A Palavra de Deus da Liturgia de hoje nos fala que Deus criou os seres humanos “homem e mulher os fez” para se doarem um ao outro, como marido e esposa, conscientizados de que já não são dois, mas uma só carne (cf. Gn 2, 21-24). Nasceu aí a primeira família, Adão e Eva. A narrativa bíblica da criação de Adão e Eva destaca a dignidade humana e divina do homem e da mulher, criados à imagem e semelhança de Deus e chamados a se unirem no amor pelos laços da aliança do matrimônio que os unifica e consagra com vínculo indissolúvel.  A família é obra de Deus e o casamento é uma benção divina. O homem e a mulher unidos em família se reconhecem extensão um do outro e devem viver na igualdade e mútua complementaridade do masculino e feminino, da paternidade e da maternidade. Necessitam, atraem-se mutuamente e formam uma só carne. A mensagem bíblica nos atesta que mais do que por necessidade biológica, em razão da qual os animais procriam por instinto natural, o homem e a mulher se unem em casamento na família por uma vocação divina, a fim de gerarem filhos segundo à sua natureza humana e divina, ou seja, à sua imagem e semelhança de criatura humana e à imagem e semelhança do Criador.

Jesus, nos Evangelhos, orienta os casais a viverem o amor em profundidade e a não se deixarem influenciar ou conduzir por ideologias que permitem e facilitam a separação por qualquer motivo. O amor exige sacrifícios, do mesmo modo como Jesus amou doando sua vida em favor de todos. Exige que lutemos contra os males que hoje afetam negativamente a família: a banalização da sexualidade, a pornografia, a má impostação conceitual da homossexualidade, a marcha contra a família, a destruição do casamento.

No trecho evangélico da Missa de hoje – Mc 10, 2-16 – Jesus fala da família como expressão do amor. Alguns fariseus, querendo conseguir uma prova contra Ele, perguntaram: “De acordo com a nossa lei, um homem pode mandar a sua esposa embora?” Jesus se reporta à lei de Moisés que autorizava o homem a dar um documento de divórcio à sua esposa e mandá-la embora (cf. Dt 24,1). E explica: “Moisés escreveu esse mandamento por causa da dureza do coração de vocês. Mas no começo, quando foram criadas todas as coisas, foi dito: Deus os fez homem e mulher. Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois tornam uma só pessoa. Assim, já não são duas pessoas, mas uma só. Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu”. Em seguida, Jesus abraça e abençoa crianças que lhe trouxeram para as tocar. Seu gesto e palavras são de defesa de seus direitos e de sua dignidade, bem como de cada mulher e de cada homem.

Assim é Jesus, faz-se solidário com cada mulher e cada homem, levando-os à perfeição. Chama pais e filhos a expressarem o amor trinitário, vivendo e promovendo os valores do diálogo, do respeito mútuo, da igualdade e da paz. Para Jesus toda lei deve estar a serviço da vida do ser humano e não o contrário, ou seja, não conforme os interesses pessoais ou corporativos de quem quer que seja como no caso dos fariseus. O critério dos fariseus foi a lei pela lei. Jesus tomou como critério o plano inicial do Criador. Conforme a mente do Criador, o homem e a mulher são duas pessoas fundamentalmente iguais em dignidade e liberdade, um foi criado para o outro e, quando se unem na relação matrimonial, estão obedecendo ao projeto divino, que emerge do mais fundo de cada um, a fim de formar uma nova unidade para os dois, para os próprios filhos e para a sociedade. Jesus, então, esclarece: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e se casar com outro, cometerá adultério”. 

            Nos dias de hoje está em pauta a “questão de gênero”, mal pensada e divulgada, bandeira de militância equivocada. No plano original de Deus, contudo, família é relação de homem e mulher. O homem e a mulher, sendo dois, ao se unirem em matrimônio se tornam uma só carne em sua natureza humana para gerarem filhos da mesma natureza que eles. E porque pais e mães são criados à imagem e semelhança de Deus, os filhos são igualmente semelhantes a Deus. Todos em vista de serem um só. Assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem numa comunhão perfeita em que, sendo três, são um só Deus em sua Natureza Divina. Essa é a ordem da Criação segundo o plano de Deus. Mas, como afirma o Papa Francisco, nada de preconceitos e discriminações com relação às pessoas em função de sua orientação sexual. No entanto, é preciso clareza e firmeza quanto ao ensinamento da Igreja que afirma que “todas as formas de encontro sexual entre pessoas do mesmo sexo não correspondem à ordem da Criação” (Catecismo 2358-2359).

            Como o casamento deve basear-se no plano criador de Deus nenhuma lei pode contradizer esse desígnio divino. Sendo o casamento uma instituição divina, exige preparação a fim de que seja assumido com responsabilidade e liberdade.