Artigos

Dia do Trabalhador - por Frei Luiz Iakovacz

Dia do Trabalhador - por Frei Luiz Iakovacz

O Dia do Trabalhador teve origem nos Estados Unidos, especialmente em Chicago, a cidade mais industrial da época. O fato aconteceu no dia primeiro de maio de 1886, quando mais de 1500 greves paralisaram o país, e as ruas foram ocupadas por operários. A principal reivindicação era a redução da jornada de trabalho, que variava entre 13 e 16 horas conforme a fábrica, para 08 horas. No confronto com a polícia, houve mortes e feridos de ambos os lados. A que mais chamou atenção foi a prisão e execução sumária de oito lideranças que encabeçavam as manifestações.

Nos anos seguintes, o movimento cresceu e novas reivindicações vieram à tona: condições dignas de trabalho (insalubridade), salário justo e férias anuais.

No dia 20 de junho de 1889, em Paris, os principais partidos socialistas e sindicatos da Europa realizaram um congresso onde foi oficializado o primeiro de maio como Dia do Trabalhador, em homenagem aos mortos estadunidenses. Desde então, os países foram introduzindo esta data no calendário nacional e, em alguns, com feriado. No Brasil, iniciou em 1895 e, o feriado, em 1925. Em 1940, Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo e, no ano seguinte, criou-se a Justiça do Trabalho, órgão responsável pelas questões trabalhistas e em defesa do trabalhador.

 Hoje, primeiro de maio deixou de ser uma data de piquetes e passeatas reivindicativas. Estas foram substituídas por homenagens, festas populares, desfiles, shows e sorteio de brindes, promovidos, inclusive, por sindicatos. Desconhece-se, quase por completo, sua caminhada histórica e o primeiro de maio é mais celebrado como Dia do Trabalho do que do Trabalhador. Isto não é bom porque “trabalho” está relacionado com produção e lucro, axioma tão apregoado pelo capitalismo e neoliberalismo. Ao passo que a palavra “trabalhador” envolve a sua dignidade; com um salário justo, ele garante as necessidades básicas de moradia e saúde, alimentação e vestuário, educação e lazer. Quando Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo, este supria tudo isso!

Que perspectivas a Bíblia nos apresenta?! A Bíblia nos diz que se, até, no trabalho escravo, a pessoa devia ser libertada após seis anos de serviço e recompensada pelo trabalho que fez (cf. Dt 15,12-15) – quanto mais, num governo democrático. A Bíblia, também, diz que “com o suor do rosto, ganharás o pão de cada dia” (Gn 3,19), mas que o sétimo dia é de descanso e de consagrá-lo a Deus (cf. Gn 2,1-4). Isto porque nenhum ser humano é máquina ou só matéria. Ele precisa do convívio familiar e lazer, bem como um tempo para dedicar-se à espiritualidade.

Há, porém, um alerta do apóstolo Paulo à comunidade de Tessalônica, muito oportuno, hoje: “Quem não quer trabalhar, também não deve comer. Ouvimos dizer que existem alguns que vivem à toa, sem fazer nada. A essas pessoas mandamos e exortamos, no Senhor Jesus, que comam do próprio pão, trabalhando em paz” (2 Ts 3,10-12).

Fraternalmente,

Frei Luiz Iakovacz