Palavra do Bispo
Dia Mundial das Missões

Na Igreja, celebramos hoje o Dia Mundial das Missões e da Infância Missionária. As orações da Missa são para a “Evangelização dos Povos”, sobretudo tendo em vista as “missões ad gentes”, isto é, os povos que ainda não conhecem Jesus Cristo. Também toda a coleta em dinheiro e outros donativos recolhida nas Missas será destinada integralmente para financiar a obra missionária da Igreja aqui entre nós e além das nossas fronteiras. É o que podemos e devemos fazer como participantes da Igreja que recebeu do Senhor o mandato de sair para levar o Evangelho a todos os povos, a fim de que se tornem discípulos e sejam batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt  28,19).

O Papa Francisco não se cansa de nos convidar a construirmos uma Igreja em saída missionária. Além de insistir na saída ou envio, ele aponta de que modo a Igreja deve ir ao encontro do povo, das pessoas, das comunidades e além fronteiras, e ele dá o testemunho pessoal do como ser discípulo missionário para que a evangelização seja atraente e eficaz e a Igreja, uma comunidade de amor que cresce pela atração. O Papa Francisco tem colocado o Evangelho no centro de sua pregação apostólica, sobretudo quando viaja pelo mundo afora. O Papa inspirou-se em São Francisco de Assis para priorizar os valores evangélicos da simplicidade, desapego, serviço, bondade e misericórdia para ser cristão e sair em missão.

Um dos aspectos da espiritualidade franciscana do Papa Francisco diz respeito à convivialidade amorosa e fraterna com os outros e todas as criaturas, e à relação amorosa e filial com Deus, conforme ele vem testemunhando na sua vida pessoal e na sua missão apostólica como Papa. Outro aspecto se revela na sua opção preferencial pelos pobres, pregando a justiça social e contra a pobreza que é resultado das relações injustas entre pessoas e instituições, por exemplo, quando criticou o comunismo em Cuba e o capitalismo nos Estados Unidos, e vem propondo o paradigma do Reino de Deus para que se construa uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Por isso, o Papa Francisco vem provocando tanta admiração no mundo inteiro e despertando tanta estima, desde Roma, no Vaticano, até às nações mais distantes por onde tem viajado. Ele Impressiona por sua simplicidade no vestir com sua sotaina branca de tecido ralo que deixa aparecer a cor de suas calças, sapato preto comum, cruz peitoral e anel de metal simples, no morar num apartamento de hóspede da Casa Santa Marta, no uso de um carro Fiat tamanho médio para se locomover, nas vestes litúrgicas sem adereços, variando na cor conforme a festa que se celebra, sempre com a mesma mitra e báculo, nas viagens em que ele carrega pessoalmente a inseparável bolsa de couro preta com os papeis e livros preferenciais de consulta. O Papa Francisco surpreende pelo total desapego ao poder e à importância do seu cargo. Em nenhum momento, mesmo em se tratando de assuntos dos mais importantes, intentou apelar à sua suprema autoridade, ao contrário, vem buscando o diálogo, consultando os colegiados da Santa Sé, como agora no Sínodo dos Bispos, que, nestes dias, está reunido em Roma refletindo sobre a Família, a fim de tomar as decisões que lhe compete dar em nome da Igreja. Impossível imaginar neste Papa que ele seja capaz de algum mínimo gesto de autoritarismo em assuntos internos ou externos à Igreja. No entanto, bem por isso mesmo, a voz deste Papa tem sido ouvida com respeito. Melhor dizendo, ele tem agido e se comportado como profeta, pois com coragem vem dizendo as coisas que devem ser ditas, quer agradem quer não, mesmo quando ele se pronuncia sobre reformas internas na Igreja ou sobre os males e as injustiças no mundo que tanto mal trazem às pessoas. O Papa Francisco vem falando como quem tem autoridade. É a força do seu testemunho. O Papa Francisco está nos dando o exemplo de simplicidade e desapego, bondade e misericórdia, serviço e dom de si para os outros, a Igreja, o mundo. Ele segue o que Jesus ensina no Evangelho da Missa de hoje.

Neste trecho evangélico - Mc 10,35-45 - dois dos apóstolos, os irmãos Tiago e João, pedem a Jesus para ocupar os primeiros lugares no seu Reino, um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus perguntou-lhes: “Podeis beber o cálice que eu vou beber, ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” E respondeu a eles e aos outros dez: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim; quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

 À ambição de sentar nos lugares de honra, Jesus contrapõe a grande missão de servir e dar a vida. Jesus deu o exemplo: tanto amou os que o Pai lhe deu para salvar que deu a sua vida pela salvação de todos.

Peçamos a Deus para que todos nós estejamos sempre prontos a servir e a dar a vida pela salvação do próximo, testemunhando nossa fé e assim proclamando o Evangelho a toda gente.