Palavra do Bispo
Dia Nacional do Catequista

Você, estimado leitor e leitora, que me acompanha nessas reflexões semanais, sabe que sempre tomo por base o texto evangélico da Liturgia do domingo. Sabe também que dou destaque aos temas que a Igreja prioriza ao longo do ano com o objetivo de avivar a vida de oração e a ação pastoral no âmbito dessas prioridades, mas com vistas a levar a Igreja a cumprir eficazmente a sua missão evangelizadora no mundo.

No mês de agosto os temas dizem respeito às diversas vocações, ministérios e serviços na Igreja. Fechando o mês vocacional, a Igreja focaliza, neste último domingo de agosto, a vocação do Catequista. Por isso, a Igreja instituiu esse “Dia Nacional do Catequista”, para lembrarmos com gratidão dos Catequistas de nossas comunidades, para suplicarmos a Deus por eles e seus familiares e que desperte, sempre mais, no seio de nossas famílias jovens vocacionados a serem catequistas, mas também a atenderem às demais vocações das quais necessitam a Igreja e a sociedade.  

Segundo o Diretório Geral para a Catequese, Catequistas são aqueles fiéis membros do Povo de Deus especificamente chamados e preparados para desenvolverem a delicada missão de transmitir a fé, no seio da comunidade, para adultos, jovens e crianças. Depois de demonstrarem disposição e possibilidade de dedicar tempo razoável de sua vida à atividade catequética na comunidade, eles foram investidos oficialmente no ministério da catequese. Naturalmente são pessoas de reconhecida maturidade humana, de equilíbrio afetivo e psicológico, de fé firme e espiritualidade sólida, de comunhão e comunicação na comunidade. Os Catequistas são, em suma, pessoas dispostas a permanecerem em constante processo de formação na Escola do Mestre e a buscarem continuamente o crescimento na santidade pelo cultivo da vida de oração, escuta da Palavra de Deus, na vivência dos sacramentos e na devoção mariana. Os Catequistas devem educar na fé os seus catequizandos mais pelo testemunho de fé e vida do que pela arte do saber falar.

Vêm, então, à mente a lembrança de tantos catequistas, sejam os que marcaram a nossa vida porque foram nossos catequistas, sejam os que conhecemos atuando em nossas comunidades. Eu mesmo conheci e conheço tantos catequistas, pessoas muito estimadas em nossas Igrejas. É bem verdade que temos na Igreja mais mulheres catequistas do que homens catequistas. Lembro-me da minha primeira catequista, que foi a própria professa da escola rural no bairro do Dourado, em Pirajuí, onde nasci. Lá na roça ela vinha da cidade para alfabetizar e ao mesmo tempo catequizar. De tal modo que fazíamos a primeira comunhão na escola da fazenda e dela saíamos com os três primeiros anos concluídos para completarmos o quarto ano da formação básica no Grupo Escolar Olavo Bilac da cidade. A professorinha foi ao mesmo tempo a nossa catequista. O Padre veio na véspera para as confissões e no dia seguinte para a Eucaristia festiva da primeira comunhão. Tudo isso ficou guardado não só nas retinas cansadas como nas memórias do coração. Que saudades da professorinha e da catequista. Naquele tempo, como escreveu o poeta, a gente era feliz e não sabia.

 

O Dia Nacional do Catequista convida você, leitor e leitora, a lembrar-se da sua catequista com gratidão. Foi ela que ensinou a você o bê-a-bá da fé, que o sustenta firme e sereno na fé em Deus, em Jesus Cristo e na Igreja.        

O Evangelho de hoje é de Mc 7,1-8.14-15.21-23. Marcos conta que os fariseus fizeram o seguinte questionamento a Jesus: “Por que vossos discípulos comem com mãos impuras, sem as lavar, conforme prescreve a tradição dos antigos?” Conta que Jesus deu esta resposta: “Não há nada fora do homem, que, entrando nele, o possa manchar, mas o que mancha o homem é o que sai de dentro dele: más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas essas coisas más vêm do interior do homem e são elas que o tornam impuro”. Marcos fala que Jesus, um pouco antes, advertira fariseus e mestres da lei quanto a esses costumes vindos da tradição que são simplesmente preceitos humanos e não se pode compará-los com os mandamentos de Deus. Jesus os critica dizendo: “Hipócritas, vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. E ao dar-lhes severa resposta aplicou a eles Isaías que assim profetizou: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são normas humanas”.

Cuidemos, você e eu, para não cairmos no erro de dar mais importância às normas humanas do que ao mandamento de Deus. As coisas más que saem do interior do homem são pecados porque estão contra os mandamentos de Deus, enquanto que as práticas exteriores, como lavar as mãos, compõem uma casuística exterior de normas humanas que não maculam a alma do homem.