Palavra do Bispo
Dom Caetano: “A Comunhão dos Santos”

Na semana que passou, no dia da comemoração de Finados, celebramos todos os fiéis defuntos. Para nós cristãos, o dia de Finados não é só o dia da saudade pelos que morreram, mas é o dia da esperança da vida eterna, plena e feliz com o Cristo Jesus, tanto para os que deixaram este mundo quanto para os que, como nós, peregrinamos nele rumo ao céu. Esta é a nossa fé e esperança: Os que adormeceram em Cristo, ressuscitarão como Ele ressuscitou; os que ora vivem em Cristo, ainda que morram, com Ele ressuscitarão também. “Crês nisso?” Perguntou Jesus a Marta, quando da morte de Lázaro. E Marta respondeu a Jesus: “Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. (Jo 11, 26-27). Finados é, pois, a celebração da vida e não da morte. “Como Jesus morreu e ressuscitou, Deus ressuscitará os que nEle morreram. E, como todos morrem em Adão, todos em Cristo terão a vida” (1Ts 4,14; 1Cor 15,22).

No domingo de hoje, a Igreja celebra jubilosamente a Solenidade de todos os Santos e Santas, tanto os canonizados quanto os que se deixaram lavar no sangue do Cordeiro desde o começo do mundo até hoje e os batizados que, vivendo em Cristo, na fé, esperança e caridade, participaram da Assembleia Eucarística. É a multidão dos santos e santas que estão na glória junto de Deus. Tendo vivido na terra como filhos de Deus, esforçaram-se para pôr em prática as verdades do Evangelho, observar os ensinamentos de Deus e agir de acordo com a sua santa vontade, e, trazendo na mão a palma da vitória, entraram na casa do Pai onde participam da vida de Deus. Os santos, por sua vida e morte, revelam para nós o mistério pascal de Cristo. O culto dos santos a Igreja o une ao mistério pascal de Cristo. Nós veneramos os santos com nossos louvores e ação de graças a Deus que, por meio deles, realizou maravilhas para o bem da humanidade. Com nossos pedidos, suplicamos que intercedam a Deus por nós, a fim de vivermos o mistério pascal de Cristo e de celebrá-lo como eles o viveram e o celebraram. A graça da salvação de Deus foi vitoriosa na vida destes santos. Eles são exemplos a serem seguidos e são intercessores que nos auxiliam a progredir no caminho das bem-aventuranças, para que a graça da salvação seja igualmente vitoriosa em nós.

O Evangelho da santa Missa de hoje - Mt 5,1-12 - nos fala da multidão dos bem-aventurados. Jesus diz a eles: “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (v.12). Se viver conforme as bem-aventuranças é difícil, lembremo-nos em primeiro lugar de Jesus que as viveu de modo perfeito e também dos santos e santas que se esforçaram para pautar a sua vida de acordo com elas.         

Para imitar a vida dos santos, importa que acolhamos bem o Evangelho das bem-aventuranças. Com as bem-aventuranças Jesus abriu o caminho da vida cristã que nos conduz à felicidade desde aqui até à vida eterna. Não há outro caminho para a verdadeira felicidade senão o da vivência das bem-aventuranças. Então, para sermos felizes precisamos: ter espírito de pobre, sabendo viver com o necessário e sendo solidários com os mais pobres; chorar com os que choram, socorrendo os aflitos; possuir a mansidão, contra a violência e a favor da paz; ter fome e sede de justiça e vontade de construir uma sociedade mais justa; ser misericordiosos, perdoando sempre e do fundo do coração; trazer o coração limpo de ódio, de falsidade, de maldade; trabalhar pela paz, fazendo o bem a todos; aceitar pacientemente a perseguição por causa da nossa luta em prol da justiça e do direito; sentir na pele o desprezo e a difamação por causa da nossa fé em Deus e na nossa Igreja.

Este programa de felicidade proposto por Jesus é bem diferente daquele que os líderes religiosos de Israel propunham como ideal de vida. Segundo eles, ser rico e poderoso é ser abençoado por Deus, e, portanto, feliz; ser justo e piedoso é ser premiado por Deus com bênçãos de vida longa, riqueza e sucesso, e, portanto, feliz. O programa de Jesus também anda na contramão dos projetos de felicidade prevalentes na nossa sociedade de hoje. Principalmente na sociedade moderna sem Deus, ser feliz, se resume, em ter poder, dinheiro, sucesso, prazer. No entanto, está aí Jesus nos apontando que o caminho da felicidade passa pelo amor, amor a Deus e ao próximo, especialmente, aos pobres, aos aflitos, aos sofredores, aos que não encontram lugar na sociedade do bem-estar nem no coração dos abastados.

Na oração depois da comunhão da santa Missa, o celebrante nos convida a rezar assim: “Ao celebrarmos, ó Deus, todos os santos, nós vos adoramos e admiramos, porque só vós sois o santo, e imploramos que a vossa graça nos santifique na plenitude do vosso amor, para que, desta mesa de peregrinos, passemos ao banquete do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor”.

 

Dom Caetano Ferrari, OFM

Diocese de Bauru