Palavra do Bispo
Dom Caetano: “A Grande Benção para o Ano Novo”

Neste domingo, último dia do ano, estamos na oitava do Natal, portanto, em clima natalino, celebramos na Liturgia a festa da Sagrada Família - Jesus, Maria e José. Esta é a mensagem: Jesus nasceu e cresceu no seio de uma família humana. E essa mensagem é sumamente importante. Deus mesmo está a valorizar a família, porque quis que o seu Filho, Jesus, fizesse parte integrante essencial como todo filho o é de toda e qualquer família humana, e tivesse um lar para morar. O paradigma divino que Deus traçou para toda família tem que ter pai, mãe e filho. Principalmente porque o lugar essencial do nascimento e do desenvolvimento da vida humana é, segundo o plano de Deus, a família que se funda sobre o amor do homem e da mulher, Deus quis fazer-se humano desde o modo como os humanos vêm a este mundo. Ora, não havendo neste mundo lugar mais digno do que a família para o surgimento da vida humana, o Pai desejou e decidiu traçar este caminho para o seu Filho vir ao mundo, devendo nascer e viver em família, tendo mãe e pai humanos, e demais familiares e parentes, como avós, tios e primos.

O Evangelho da santa Missa deste domingo mostra Maria e José levando Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-Lo ao Senhor – Lc 2,22-40. É a Sagrada Família que, como toda família judaica observante da lei, dirigiu-se também ao Templo, portando em mãos a oferta de um par de pombinhos como sacrifício, para cumprir a lei que ordenava que todo primogênito do sexo masculino devesse ser consagrado ao Senhor. Lá se encontrava o velho Simeão, homem justo e piedoso que esperava a consolação do povo de Israel; ele recebeu Jesus, Maria e José, abraçando-os afetuosamente. O Espírito Santo iluminou Simeão para que entendesse que chegara a hora de realizar-se o anúncio segundo o qual não morreria antes de ver o Messias que vem de Deus. Simeão tomou o menino nos braços e, reconhecendo-o como o Salvador, bendisse a Deus: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. Simeão disse a Maria: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel... Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. Havia ali uma profetisa de nome Ana que depois de ficar viúva não saía do Templo, estando agora com oitenta e quatro anos de idade. Ela servia a Deus com orações e jejuns. Vendo o menino, Ana começou a louvar a Deus e a falar do menino a todos, apontando-o como o Libertador.

No primeiro dia do novo ano civil, encerrando a oitava do Natal, a Igreja celebra a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria. Maria é a abençoada por Deus, a bendita entre todas as mulheres, cujo fruto do seu ventre, Jesus, é bendito. O Evangelho lido na santa Missa deste primeiro dia do Ano Novo é de Lucas 2,16-21. São Lucas relata que os pastores acorreram às pressas ao presépio de Belém e apresentaram as suas homenagens e presentes ao recém-nascido deitado na manjedoura. Maravilhados, contaram a Maria e José como os anjos lhes apareceram durante a noite e lhes falaram sobre o Menino. Depois, os pastores voltaram para o seu trabalho. Lucas, a seguir, registrou que, quando se completaram os oito dias para a circuncisão do Menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo Anjo antes de ser concebido.

Naturalmente, a mensagem do Ano Novo é de paz. A paz é o dom divino, o presente que o Senhor trouxe no Natal para a humanidade. Que a paz do Senhor se estenda por todo o ano que ora começa! Na primeira leitura da santa Missa é lida a passagem de Números 6,22-27, anunciando a bênção do Senhor. Assim o Senhor falou a Moisés, dizendo: “Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: ‘O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz! ’”. Jesus veio estender esta paz ao novo Israel, aos cristãos e a toda a gente de boa vontade. Interpretando o sentido mais profundo da vinda do Senhor, que nasceu no seio da família, em vista da construção da paz no mundo, o Papa Bento XVI disse que “A realização da paz depende, sobretudo do reconhecimento de que somos, em Deus, uma única família humana”. Sem a família não haverá paz no mundo.

Em sua mensagem para o 51º dia mundial da Paz, que se celebra neste primeiro de janeiro, sob o título “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”, o Papa Francisco apresenta a seguinte saudação: “Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra!” E explica: “A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal, é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, ‘são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz’. E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta. Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra...”.

Generoso leitor e leitora, com o Papa Francisco, desejo a você e à sua família, um abençoado Ano Novo, pleno de paz, saúde e todo o bem, com as bênçãos da Sagrada Família, migrante e refugiada.

Dom Caetano Ferrari, OFM

Diocese de Bauru