Palavra do Bispo
Dom Caetano: “A semente que cai em terra boa dá fruto”

A mensagem evangélica da Liturgia da Santa Missa de hoje é tirada de Mt 13, 1-23, que relata a Parábola do Semeador, conforme Jesus a contou a uma grande multidão que se reuniu ao redor dele, quando em certo dia saiu de casa e se dirigiu às margens do mar da Galiléia. Jesus entrou numa barca e disse ao povo muitas coisas em forma de parábolas. Ele propôs, especialmente, a parábola do Semeador, que todos nós a conhecemos tantas foram as vezes que a ouvimos. Resumidamente, um semeador semeou sementes que cairam algumas à beira do caminho e os pássaros as comeram; algumas cairam em terreno pedregoso e começaram a brotar, mas o sol as queimou porque não tinham raízes profundas; algumas cairam entre espinhos e cresceram, mas os espinhos as sufocaram; enfim, algumas cairam em terra boa e produziram de cem, sessenta e trinta frutos por semente. Jesus concluiu, dizendo: “Quem tem ouvidos ouça!” Na continuidade da narração, Mateus disse que o grupo de discípulos, percebendo que o povo em geral não tinha entendido, interrogou Jesus: “Por que falas ao povo em parábolas?” Aqui vem a primeira chamada de atenção de Jesus. Coisa que Jesus já advertiu no Evangelho do domingo passado. O povo, geralmente, não dá ouvidos às coisas de Deus, do seu Reino e da sua justiça. Tem ouvidos e não ouvem, olhos e não veem, coração e não compreendem. Aliás, como já tinha profetizado Isaías que dizia que o coração desse povo tinha se tornado insensível, uma gente tomada de má vontade, de modo que se tornava arredia à conversão e impossível que Ele como divino médico da alma e do corpo os curasse. Naquele tempo e ainda hoje, esse é um problema bem real, por que o Reino de Deus ou a Igreja, que é o Sacramento desse Reino, como não foi aceito por todos em Israel, não é ainda aceito por todos em nosso mundo atual? Se aos que ouviam a Jesus não foi dado conhecer, no entanto, afirmou Jesus, a vós foi dado. Conforme assim se expressou: “Felizes sois vós porque os vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, ouvir o que ouvis e não ouviram. Ouvi, portanto, a parábola do semeador”. E passou a explicá-la.

A semente que caiu à beira do caminho, o maligno a comeu, porque aquele que ouve a palavra e não a retém no seu coração não consegue compreendê-la. A semente que caiu em terreno pedregoso é o que recebe a semente, até com alegria, mas como o entusiasmo é passageiro não estimula a semente a aprofundar suas raízes, então, quando chega o sofrimento ou a perseguição por causa dela, ele desiste logo de compreendê-la e de levá-la a sério. A semente que caiu entre os espinhos é aquele que ouve a palavra, mas deixa que as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufoquem a palavra, e ele não dá fruto. A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto, cem, sessenta, trinta, arrematou Jesus. A segunda chamada de atenção de Jesus, ou a segunda lição, é esta: O que importa mais do que tudo é o modo como se acolhe a palavra, se recebe no coração a semente da palavra. É de notar que Jesus não gastou nenhuma palavra para falar quanto importante é a palavra do Reino e, por isso, sobre a excelência e a perfeição da semente, que nunca falha, que tem um potencial germinativo de extraordinária força e precisão. O que Jesus quis ensinar é que importante mesmo é o modo de acolher a palavra que é sempre eficaz. Quando Jesus contou a parábola pôs em destaque o drama dessa palavra lançada no mundo e as vicissitudes da vida que prejudicam a germinação da semente. Na sua explicação, porém, Jesus acentuou que o que verdadeiramente conta é como cada um recebe essa palavra em seu coração. Por conseguinte, o modo de acolher a semente da Palavra de Deus diz respeito à qualidade do terreno, que é propriedade pessoal, solo privado e interior de cada um, que depende da nossa boa vontade em recebê-la, compreendê-la e da nossa proficiência em permiti-la que produza frutos.   

Lembremo-nos que a palavra de Deus veio até nós em Jesus Cristo. Ele não só a transmitiu, mas fez-se semente plantada no mundo que morreu para produzir muito fruto. Jesus fez-se pão da Palavra e da Eucaristia para ser nosso remédio e alimento.

Supliquemos ao divino Semeador que tenhamos olhos que vejam, ouvidos que ouçam e coração que compreenda, a fim de sentirmos a mesma  alegria dos discípulos que conseguiram ver e ouvir o que muitos profetas e justos desejaram e não o  conseguiram. Que possamos ouvir Jesus dizendo-nos: “Felizes sois vós!”

 

Dom Caetano Ferrari, OFM

Diocese de Bauru