Palavra do Bispo
Dom Caetano: “Advento com alegria”

Neste terceiro domingo do Advento, ao iniciar a santa Missa acende-se na coroa do Advento a terceira vela de cor rosa, sinal da alegria, porque o Natal está chegando. Só para recordar, nos dois domingos do Advento já foram acesas duas velas, respectivamente, a primeira de cor verde, sinalizando a esperança, a segunda de cor branca, simbolizando a paz. E no próximo domingo, será acesa a quarta e última, a vermelha, a vela do amor, porque quem está para nascer é Deus amor feito carne. Resumindo o tempo do Advento, a Liturgia nos vem motivando a percorrer uma caminhada de preparação para o Natal, em ambiente litúrgico de cor roxa, significando o espírito penitencial de conversão de vida que caracteriza o Advento. Neste domingo, porém, faz uma pausa para que tome lugar a alegria, representada então, pela cor rosa, podendo flores enfeitar o altar, a fim de nos animar a prosseguirmos jubilosamente. A razão dá-nos a Antífona da entrada à santa Missa que ecoa São Paulo: “Gaudete”, isto é, “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo, alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,4s).

No trecho evangélico de hoje, São João Evangelista apresenta João Batista como homem enviado por Deus para testemunhar a luz, a fim de que todos chegassem à fé. Este foi o testemunho que o Batista deu aos sacerdotes e levitas que o interrogaram sobre a sua identidade: “Eu não sou o Messias. Eles perguntaram: Quem és, então? És tu Elias ou o profeta? Ele respondeu: Não sou. Quem és, afinal? O que dizes de ti mesmo? João declarou: Eu sou a voz que grita no deserto: aplainai o caminho do Senhor. Eles lhe perguntaram: Por que então andas batizando se não és o Messias, nem Elias, nem o profeta? João respondeu: Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço  desamarrar a correia de suas sandálias”. Tanto neste domingo como no domingo passado a Liturgia nos apresenta a figura de João Batista como modelo de preparação para o Natal. Lá no Evangelho de Marcos, aqui no de  João Evangelista. O Batista é uma das figuras bíblicas das mais importantes, sobretudo porque ele dá testemunho de Jesus, se declara humildemente como “voz que grita no deserto” e convida a todos a se deixarem encontrar pelo Senhor que vem, e para tanto a se prepararem, dignamente, e a viverem esta extraordinária experiência do encontro com Deus em suas vidas. Dar testemunho de Jesus é a missão de todo cristão. O mundo precisa de testemunhas de Deus, que não contem vantagens pessoais nem falem de si mesmas, mas que se reconheçam humildes e inclusive pecadoras e, assim sendo, proclamem as maravilhas que o Senhor vem fazendo em suas vidas e na vida da humanidade. Aqui vem, maior de todos, o exemplo da Mãe do Senhor, a Virgem Maria, a Imaculada sem pecado, que, no entanto, testemunhou: “O Senhor olhou para a humildade desta sua serva e fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome”. São Francisco de Assis viveu segundo esse espírito: “Quem sois Vós, ó Senhor, e quem sou eu? Vós, o Criador de todas as coisas, eu, um vermezinho, ínfimo servo vosso.

Pergunto-lhe, prezado leitor e leitora, a esta altura do Advento, como está a sua preparação para o Natal? Fazendo eco às palavras do Batista, qual o seu testemunho de Jesus? Como está a sua vida de oração e de prática das boas obras? Ainda há tempo para começar!

Depois da reflexão sobre a Liturgia dominical, ultimamente, venho falando a respeito da imoralidade que está sendo praticada, escandalosamente, contra a família. Falei no domingo passado da imoralidade que é a “ideologia de gênero”. Tenho algo a mais a dizer sobre este tema. Veja só como age a nossa administração pública. O Congresso Nacional aprovou o Plano Nacional de Educação excluindo da proposta a inclusão da “ideologia de gênero” que os seus seguidores queriam impor. Agora, lá no MEC, órgão que deve obedecer à Constituição Nacional e às leis maiores do país, está-se tramando trazer de volta a ideologia de gênero, incluindo-a na Base Nacional Curricular Comum - BNCC. O BNCC é um documento que apresenta a matriz dos conteúdos comuns que devem orientar os currículos das escolas públicas e privadas no âmbito do ensino infantil e fundamental. É, em si, uma coisa boa. Só que, retomam-se as discussões de gênero e sexualidade e agora as transferem habilmente para a área do ensino religioso. De acordo com a Lei das Diretrizes e Bases da Educação – LDB, o ensino religioso é confessional e quem monta o seu currículo é a autoridade religiosa competente. Questionado recentemente o Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a constitucionalidade do ensino religioso confessional obrigatório para o Estado que o oferecerá na grade curricular do 9º ano do ensino fundamental e facultativo para as famílias que por ele optarão segundo a sua confissão religiosa. Jogar gênero e ensino religioso juntos na BNCC é uma tentativa do politicamente correto para dar reconhecimento oficial à ideologia de gênero, ainda que vá lá onde ela é mais criticada e rejeita, na área da religião. Alguém dirá que até faz sentido, pois gênero e fé não são ciências. Como para os adeptos desta pretensa ciência o que importa é aparecer e não ser, talvez nem reagirão. Mas, nem pensar em sugerir para essa gente que gênero seria como um dogma de fé e não ciência: a fé se funda em Deus e gênero se funda em quem? Em Judith Butler, sua principal teórica? Nós, porém, pessoas de fé precisamos reagir, esperando que o Ministro da Educação, Mendonça Filho, suprima do documento final este tema assim como o havia retirado na sua proposta inicial encaminhada anteriormente para estudo ao Conselho Nacional de Educação - CNE. Coisa como esta, que se está querendo fazer com nossas crianças na escola, não dá para aceitar. É que, antes e acima de tudo, não dá nem mesmo para entender porque escolas devam se meter na formação sexual das crianças. Essa tarefa não é competência exclusiva da família? Gostei da provocação de Luiz Felipe Pondé que lançou essa pergunta na Folha de São Paulo, 27/11/17, pg. C10: “Não seria essa suposta “formação sexual” um modo de um número mínimo de pessoas imporem suas teorias a um número enorme de crianças que não têm como reagir à pregação ideológico-sexual?”

Dom Caetano Ferrari

Diocese de Bauru