Palavra do Bispo
Dom Caetano: “Advento e Natal com amor”

A essência do Natal é o amor. Se hoje, quarto domingo do Advento, acende-se na coroa do Advento a vela vermelha, que simboliza o amor, a Liturgia indica que o Deus amor nasce de novo na festa da sua Natividade que a Igreja e a humanidade cristãs celebram no dia 25 de dezembro. Ao domingo de hoje, quarto do Advento e dia 24, com a Missa do Advento, segue-se ao anoitecer a santa Missa da noite de Natal, anunciando o nascimento do Salvador da humanidade.     

 

No Evangelho da santa Missa deste quarto domingo do Advento - Lc 1, 26-38 - o Anjo Gabriel saúda Maria, dizendo: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo... Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus... O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus... Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!’” Eis o sublime mistério do anúncio pelo anjo e da concepção do Filho de Deus no seio de uma mulher pelo Espírito Santo. São Paulo interpretou a manifestação deste mistério, magnificamente, como se pode ler em sua carta aos Gálatas: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai!” (Gl 4,4-7). Deus se fez filho do homem para nos fazer filhos de Deus. O sublime mistério do amor de Deus se concretizou com o nascimento de Jesus na noite santa do Natal. Lá na gruta de Belém uma grande luz apareceu nos céus e desceu sobre a terra: “Santo é o dia que nos trouxe a Luz. Vinde e adorai o Senhor”, canta a Liturgia da Missa.

O Evangelho da santa Missa da noite de Natal é o de Lucas - Lc 2,1-14 – que nos recorda tudo como aconteceu desde o decreto de César Augusto ordenando o recenseamento, a viagem de José até Belém, na Judéia, levando a sua esposa, que estava grávida, a fim de se registrarem. Em seguida, que se completaram os dias para o parto e, não encontrando lugar em nenhuma hospedaria, Maria deu à luz o seu filho primogênito, que ela o enfaixou e o colocou numa manjedoura. Depois, que um anjo do Senhor apareceu aos pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho, e lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor”. Até que, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da coorte celeste, que cantavam louvores a Deus: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados”.

No Evangelho da santa Missa do dia de Natal a Liturgia nos oferece a teologia de João – Jo 1,1-5,9-14.  João afirma que a Palavra de Deus se tornou realidade humana, virou verdade real visível. E a verdade real visível é esta: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (v.14). Prossegue João, argumentando que a todos que receberam esta Palavra feito carne concedeu adquirir a capacidade de se tornarem filhos de Deus, para que, ultrapassando o nascimento do sangue e da vontade da carne e do varão, pudessem nascer agora, novamente, de Deus mesmo. No início deste seu Evangelho João começou lembrando que Jesus é a Palavra de Deus desde antes da criação do mundo: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. Depois, ele continua dizendo que “Tudo foi feito por meio da Palavra, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito”, isto é, toda a criação. Avançando na explicação, João afirma que “na Palavra estava a vida, e a vida é a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la”. Pode-se resumir essa bela reflexão de João, articulando essas palavras: Palavra de Deus, Vida e Luz, que trascendem o nosso entendimento humano e nos colocam face a face com o sublime mistério da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Francisco de Assis compreendeu bem o significado do Natal, quando disse que a Páscoa é, sem dúvida alguma, o mistério maior de nossa fé, no entanto, Jesus não teria morrido e ressuscitado se, primeiro, não tivesse nascido.   

Contemplando em espírito a suprema humildade do Filho de Deus nascido no Natal, São Francisco de Assis admirava como Deus olha para quem dEle se aproxima, com ternura e afeto, a mãe Maria, o pai José, o boi e o burro, as ovelhas, os pastores, os reis. E como jamais alguém o fez, Francisco celebrava o santo Natal, armando presépios ao vivo, para que todas as pessoas pudessem contemplar o mistério do mundo divino encontrando-se com o mundo humano e desejassem como ele retribuir com igual amor ao Menino Deus, rendendo-Lhe glória, como disse João no Evangelho, “glória que Ele recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e verdade” (n. 14)

Desejo a você e a sua família, estimado leitor e leitora, um santo e feliz Natal e um abençoado Ano Novo, com saúde, paz e todo o bem.

Dom Caetano Ferrari

Diocese de Bauru