Palavra do Bispo
Dom Caetano: “Vocações: Padres, Pais, Religiosos e Leigos”

Como sabemos, na Igreja, agosto é mês das vocações. A Liturgia foca nos quatro domingos de agosto as vocações dos ministros ordenados – Padre, Diácono e Bispo – dos pais, dos consagrados e consagradas, dos fiéis leigos e leigas. No centro de agosto está a Semana da Família, de 13 a 18, que prioriza as vocações matrimoniais para a vida em família, pois dela procedem todas as demais vocações.

Hoje é o dia do Padre, melhor dizendo, dos ministros ordenados: Diáconos, Padres e Bispos. Não se esqueça de rezar por todos eles.

Os Padres são, na Bíblia, chamados de Presbíteros ou Sacerdotes. É o que se pode verificar, por exemplo, em Hebreus: “Os presbíteros (ou os sacerdotes) são escolhidos dentre os homens e constituídos em favor dos mesmos nas coisas que visam a Deus para oferecer oferendas e sacrifícios pelos pecados do povo quanto pelos seus próprios. Ninguém, pois, se atribua esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5, 1-4).

Conforme a Igreja ensina, o Novo Testamento não rompe com o Antigo Testamento, mas o completa e o leva à perfeição. Assim sendo, o Presbítero cristão continua e renova o sacerdócio do Antigo Testamento, tendo, portanto, o poder de oferecer sacrifício e perdoar os pecados. Ele é o Ministro do Culto, não do velho, mas do novo, na Páscoa de Cristo. O presbítero recebeu ainda de Cristo uma nova missão, isto é, a obrigação principal de anunciar o seu Santo Evangelho a toda gente. Ele é, então, o Ministro da Palavra de Deus. O Concílio Vaticano II, na Presbyterorum Ordinis, acentua fortemente o duplo papel complementar do padre como Sacerdote e Missionário. O Concílio repete dizendo que o padre é ordenado ao serviço de Cristo como Mestre, Sacerdote e Rei. E esclarece, no entanto, que esta vocação não prejudica em nada a vocação comum de todos os fiéis à condição de serem Mestres, Sacerdotes e Reis. Pois, como afirma São Paulo “nem todos os fiéis têm a mesma função” (Rm 12,4), e os padres exercem essa vocação, diferentemente, como consagrados pelo Sacramento da Ordem.

Na Igreja Católica o Padre, em função da ordenação sacerdotal pela imposição das mãos do Bispo e pela unção do óleo santo, pode dar o Espírito Santo, absolver os pecados, tornar presente o sacrifício de Cristo e o próprio Cristo na Eucaristia, dons estes recebidos de Deus mesmo. Resumindo, todo padre é “ordenado com o propósito de oferecer dons e sacrifícios, tendo como primeira tarefa anunciar o Evangelho de Cristo”.

A Liturgia de hoje celebra a festa da Transfiguração do Senhor. O Evangelho da Missa - Mt 17,1-9 – apresenta o Cristo glorioso no monte Tabor, que, no entanto, descendo do monte, seguirá o seu caminho de sofrimento rumo à cruz. Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, os discípulos que lhe eram mais próximos, e os levou ao alto do monte. E transfigurou-se diante deles, com o rosto brilhando como o sol e as roupas brancas como a luz. A seu lado, conversando com Ele, apareceram Moisés e Elias. Uma nuvem luminosa cobriu a todos e dela ouviu-se uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual Eu pus todo meu agrado. Escutai-O!” Os discípulos, que antes estavam tão animados ante aquela manifestação de glória que queriam fazer três tendas para Jesus, Moisés e Elias, caíram “cheios de espanto” com o rosto por terra. Jesus tocou neles e eles, erguendo os olhos, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Jesus lhes pediu para que não contassem a ninguém o que viram até a sua ressurreição dos mortos. O caminho que leva até ao monte da glória da ressurreição é uma subida de sofrimento e cruz. Jesus anima os discípulos a segui-Lo, como disse aos três que haviam caído em terra: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Uma das mensagens deste Evangelho para nós pode ser esta: Como discípulos e missionários de Jesus desde o Batismo, não devemos ter medo nem de escutar só a Jesus, pois Ele é o Filho amado do Pai, nem de seguir só a Ele, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida. Só Jesus pode nos livrar de todo medo e nos dar a vida plena, eterna e feliz.       

Não se esqueça, hoje, de cumprimentar o padre de sua comunidade e de rezar por ele, para que goze da saúde física e espiritual e esteja sempre repleto do Espírito Santo, seja fiel à sua vocação de servir a Deus e a seu santo povo.  

Reze também para que o Senhor desperte cada vez mais dentre os nossos jovens vocações, porque a messe é grande e os operários são poucos. 

Dom Caetano Ferrari, OFM

Diocese de Bauru