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publicado em: 20/10/2018
Dom Sevilha: “Fazer o Bem nos torna felizes”

A enxurrada de notícias que, instantaneamente, caem sobre nós é alarmante. As notícias chegam até nós, ao vivo e a cores, no exato momento em que estão acontecendo. Isso é bom e é ruim. É bom porque ficamos informados de tudo o que está acontecendo, através de inúmeras fontes.

Todavia o excesso de informação traz o risco da superficialidade e banalização, sobretudo na internet onde, por exemplo, podemos ver a notícia de uma bomba que explodiu e matou muitas pessoas, com fotos e vídeos, ao lado de uma notícia sobre uma atriz que engordou três quilos.

Além do excesso de notícias inúteis temos ainda a grande dificuldade em distinguir as notícias verdadeiras das falsas. Mas o pior de tudo, a meu ver, é a influência negativa que essa enxurrada de notícias exerce sobre o nosso modo de ser e de pensar, tornando-nos demasiado pessimistas.

Diante do excesso de informações, “tudo junto e misturado”, é grande a tentação de concluirmos que tudo está caótico e perdido, que tudo está se desagregando, que estamos como em uma nave descontrolada perdida no espaço, sem rumo e direção. Enfim, parece que o mal está vencendo.

É preciso “afinar” o filtro interior e se desintoxicar dos excessos. Cada um deve criar sua disciplina e método para lidar com essa realidade nova. Não podemos mudar o curso do rio, mas podemos dominá-lo navegando-o. Na linguagem religiosa dá-se o nome de conversão a essa lenta e contínua luta diária para melhorar a nós mesmos.

Para isso é preciso alguns requisitos. Um deles é acostumar-se a ter diariamente um tempo de reflexão, para examinar a si mesmo, perguntando-se: como estou vivendo a minha vida? Quem sou eu? Quais são meus valores e, sobretudo, quais são os meus desejos, minhas metas, enfim, qual o sentido da minha vida?

A partir desse exame de consciência percebemos coisas boas e ruins e fazemos o propósito de melhorar o nosso modo de ser, pois descobrimos que as nossas atitudes nas quais falta o amor, tornam-nos tristes e infelizes.

Não existe outra maneira do ser humano ser feliz a não ser sendo bom e fazendo o bem. Porém, cuidado com a palavra felicidade. Ela é enganosa.

Há duas felicidades: a do céu e a da terra. A felicidade do céu é perfeita, pois na eternidade não haverá nenhum tipo de sofrimento, será a eterna alegria em Deus. A literatura espiritual usa para isso uma expressão sugestiva: gozo eterno! A felicidade da terra é incompleta, misturada com os problemas, sofrimentos e até com as tragédias da vida. Com a sabedoria da fé, que se traduz concretamente no amor a Deus e às pessoas que estão ao nosso redor, é possível alcançar essa felicidade.

Infelizmente, alguns se enganam esperando a felicidade do céu aqui na terra e ficam frustrados. Alguns ainda imaginam que felicidade é a ausência de problemas e ter uma vida exatamente com tudo aquilo que se sonha e deseja. Como isso não existe, a pessoa conclui que a felicidade também não existe e que é impossível ser feliz.

Por outro lado, todos conhecemos pessoas felizes apesar dos seus problemas, dificuldades e até tragédias. O maior exemplo é Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, que viveu os piores sofrimentos humanos: traição, incompreensão, difamação, foi torturado, morto. A felicidade da alma é diferente da alegria das emoções. A alegria da alma nada e ninguém a tira, pois ela nasce e tem sua raiz no amor de Deus. Esse amor se traduz em atos concretos de bondade e misericórdia.

O bem vence sempre. Geralmente, o bem é discreto e silencioso, e não faz o estardalhaço que o mal costuma fazer. O bem nem sempre é agradável ou glamoroso. Pelo contrário, muitas vezes ele é áspero e pesado. Mas a força do bem é infinitamente superior ao do mal. O bem tem a força do fermento na massa. O bem é como a pequena semente que se transforma lentamente numa grande árvore com flores e frutos, e pássaros com seus ninhos.

Resumindo, o bem tem sempre embutido em si a invencível e poderosa força de Deus. E Deus vence sempre! Nós, cristãos, cremos firmemente na imensurável força do Cristo Ressuscitado, que vence sempre o mal e a morte. Seja feliz!

Dom Sevilha, OCD.