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publicado em: 22/12/2018
Dom Sevilha: “Feliz e Santo Natal”

Feliz e Santo Natal para você e toda a sua família é o que lhe desejo, na maravilhosa e singela festa do nascimento de Nosso Senhor, Jesus Cristo.

O Natal renova nossa alegria e esperança, pois o “Sol nascente veio nos visitar” (Lc1, 67). A luz brilhou nas trevas do mundo; o amor sempre vencerá o ódio e o egoísmo; o bem sempre vencerá a violência e o desprezo.

O coração humano jamais estará solitário e abandonado, pois a presença amorosa de Deus, que nasceu no Natal, é para toda a eternidade: “Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt28, 20). Ele está no meio de nós!

Estar sozinho é bem diferente de estar vazio ou solitário. A presença de Deus preenche o universo. Renasce em nós o desejo e a possibilidade real de sermos melhores, pois, Deus se esvazia da sua divindade e assume a nossa humanidade. Deus assume a nossa pequenez ao nascer como todos nós: criança frágil e totalmente dependente dos pais.

Deus nasceu pobre, assumindo a nossa natural pobreza humana. Enquanto nós, espontaneamente, tendemos a rejeitar a pobreza e desejamos a grandeza, o Filho de Deus não tem onde reclinar a cabeça.

Os primeiros escritores do início do cristianismo chamaram o que aconteceu no Natal de “divino comércio” ou divina troca: Deus se humaniza para o homem se divinizar. Deus desce e o homem sobe. Só amor verdadeiro é capaz disso: diminuir para que o outro cresça.

Portanto, o que celebramos é uma noite santa, dia cheio de luz, que renova as nossas forças para a luta da vida, para combater o bom combate, terminar a corrida e manter a fé (Cfr. 2Tim4, 7).

No impulso da alegria espiritual do Natal quero dizer ao Menino Deus: Jesus, vem brincar comigo!

Jesus Menino, dá-me olhos e coração de criança. Quero brincar. Vamos brincar juntos! Não olhes minhas travessuras, Menino Deus, o meu coração de criança nem sempre é responsável, perseverante, mas se deixa atrair pelo brilho desse mundo.

Deus Menino, vem brincar no meu coração, alegrar a minha alma, vamos sonhar juntos. Este mundo está feio, falta festa verdadeira, a tristeza está sendo disfarçada pela comida, bebida, presentes, roupa, dinheiro, prazer... Vamos brincar, Jesus! Não deixes meu coração ficar severo demais, preocupado demais, quero brincar! Não me deixes trabalhar demais, nem ficar ansioso e agitado, querendo controlar tudo, fazer tudo...

Não quero pensar demais, Jesus! Não quero entender tudo, nem ter explicações para tudo. Não me deixes, Senhor, paralisado pela dúvida, preso pelas incertezas. Livra-me do orgulho intelectual, da arrogância da razão e, consequentemente, do inevitável vazio e confusão interior. Vamos brincar, Menino Deus!

Jesus amigo, até hoje eu sempre quis ganhar no jogo. Ensina-me, Senhor, a perder. Não quero mais ganhar sempre, quero perder e continuar jogando com entusiasmo o jogo da vida. Quero perder e ser feliz também na derrota. O que eu quero, Jesus Menino, é brincar até o final!

Na velhice, Jesus, ensina-me a continuar brincando: rindo apesar da perda da saúde, da inteligência, perdendo as pessoas queridas, brincando na solidão, até que a morte, essa brincadeira sem graça, aconteça e, então, Divino Menino, brincaremos lá no céu.

Lá, brincaremos de verdade, por toda a eternidade, entre nuvens e anjos, entre santos e harpas, entre o colo da Mãe e os braços do Pai!

“Junto a Ele estava eu, como criança, brincando todo o tempo diante dele, brincando sobre o globo terrestre, achando as minhas delícias estar junto aos filhos dos homens” (Prov. 8,30). Feliz e Santo Natal!

Dom Sevilha, OCD.