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publicado em: 05/01/2019
Dom Sevilha: “Os Reis Magos”

Neste domingo, dia 06 de janeiro, celebramos a festa dos Reis Magos. Esta festa tão popular no cristianismo católico e também na Igreja oriental está repleta de bonitas tradições e manifestações culturais.

No cristianismo oriental ela é tão importante quanto o próprio Natal. A tradição de dar presentes, sobretudo para as crianças, nasceu a partir dos presentes que o Menino Jesus recebeu dos Reis Magos.

Curiosamente, o Evangelho não diz que eram reis e nem que eram três, pois o texto diz somente: “eis que uns magos do oriente chegaram a Jerusalém” (Mateus 2,1).

Provavelmente, deduziram que eram reis, pois foram recebidos pelo rei Herodes e trouxeram valiosos presentes dignos e próprios de reis para reis. O número três remete ao tríplice presente: ouro, incenso e mirra.

A eterna luta do mal contra o bem, que permeia toda a Bíblia, e que percorrerá toda a vida de Jesus, já aparece aqui com o poderoso rei Herodes, querendo manipular os Reis Magos para destruir o soberano Rei dos Reis, nosso Senhor, Jesus Cristo.

Nesse momento, Jesus não se apresenta como soberano, nem poderoso aos olhos humanos, pelo contrário, aparece como criança pequena, frágil e pobre. Deus entra na nossa história, assumindo a condição humana em tudo, menos no pecado.

Na verdade, Jesus pisou o nosso chão, viveu a nossa vida com suas alegrias e tristezas, fadigas e momentos de harmonia. Jesus experimentou a fragilidade extrema de uma criança recém-nascida que, sozinha ou sem o auxílio dos pais, não sobreviveria por muitas horas.

É um grande mistério o fato de um Deus tornar-se dependente de um casal, Maria e José. Jesus quis nascer pobre, isto é, unindo-se aos que estão na situação mais sofrida e mais difícil.

Ao contrário de Jesus nós, instintivamente, desejamos a grandeza, a riqueza e a total independência. Precisamos de muito auxílio divino e enorme desejo e esforço de conversão para, de fato, sermos imitadores de Cristo, isto é, cristãos.

Os Reis Magos são guiados pela estrela que brilha no alto céu, enquanto Herodes é guiado pelo falso brilho da sua arrogante prepotência, alimentada pelos bajuladores de plantão, que o rodeiam no palácio.

Os Reis Magos vêm de longe para encontrar e adorar o Menino Deus, enquanto Herodes, tão próximo, quer distância d’Ele e quer eliminá-lo. Os Reis Magos dão presentes valiosos, enquanto Herodes quer tirar a valiosa vida do Salvador do mundo. Os Magos oferecem ouro porque o menino é Rei, oferecem incenso porque o menino é Deus, e para o menino que é homem, oferecem a mirra, erva amarga usada também nos sepultamentos da época.

O nome oficial da festa de hoje é Epifania. A palavra grega epifania significa “manifestação”, pois, através dos Magos do oriente, o Filho de Deus fez sua primeira manifestação diante de todos os povos. Jesus veio para salvar todos os povos de todas as raças línguas e nações.

A festa da Epifania nos recorda que a estrela da fé brilha sempre, mas, como Herodes, podemos ficar cegos pelo orgulho, pela ambição, pela vaidade, pelo apego a nós mesmos e não conseguirmos enxergar a beleza da luz de Deus, que nos ilumina e nos orienta nas estradas da vida.

A luz da fé nos conduz até Jesus, que vem até nós também nas coisas simples da vida. Quando encontramos Jesus oferecemos-lhe o ouro, em tudo aquilo que é precioso para nós. Afinal, nada há de mais precioso e nobre do que o Rei Jesus. Quando encontramos o amor de Jesus, oferecemos-lhe o incenso da adoração e do louvor, cheios de gratidão pela infinita misericórdia de Deus, derramada sobre nós.

Quem encontrou Jesus e decide segui-lo, irá comer com Ele a erva amarga que é “renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz de cada dia” (Lc 9, 23), como Jesus tomou sobre si nossos pecados, carregou sua cruz e deu a vida por nós. Ele amou até o fim.

Dom Sevilha, OCD