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publicado em: 06/10/2018
Dom Sevilha: Qual o Sentido da Vida?

Está acontecendo, em Roma, o Sínodo dos bispos, para refletir sobre a juventude. O tema oficial é: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

A palavra sínodo, de origem grega, significa “caminhar juntos”. Portanto, a Igreja é, essencialmente, sinodal, como afirmou o Papa Francisco.

É o Papa quem convoca e preside o Sínodo e, em seguida, ele recolhe todas as reflexões e sugestões oferecidas pelos bispos dos vários continentes. Depois, escreve um documento que norteará a vida da Igreja, no caso, sobre o modo como ela deverá se relacionar com “as juventudes”.

Sabemos que o diálogo entre a Igreja e os jovens não é dos melhores. As ideias e a linguagem de ambos parecem estar muito distantes entre si. O Papa Francisco deseja que, em primeiro lugar, os jovens sejam ouvidos, de fato.

Temos que nos preparar e abrir o ouvido e o coração para sabermos escutar os jovens em profundidade, sem preconceitos ou fórmulas prontas.

Um dos assuntos que apareceu com frequência nas consultas prévias, que prepararam o Sínodo, foi a preocupação dos jovens com o sentido da vida. Eles esperam que a Igreja seja um lugar onde possam experimentar, na prática, o sentido positivo da vida.

De fato, não só os jovens, mas todo o ser humano, em qualquer época da história, em algum momento da vida, vai fazer-se essa pergunta: por que e para que eu estou nesse mundo?

A única certeza que temos é que nascemos, vivemos e morremos. Enquanto vivemos temos que agir como alguém que “conserta o avião voando!”. A vida não pára.

Alguns se desesperam ou se deprimem diante da complexidade inexplicável da existência. De fato, a vida é um mistério.

Para aquele que crê penso haver dois sentidos simultâneos para a vida: um sentido prático e imediato e outro mais amplo e eterno.

O sentido prático da vida, a meu ver, chama-se Família. O que preenche e dá sentido à existência de todo o ser humano é a família.

Toda a civilização gira em torno da manutenção e preservação da família: economia, política, leis, cultura, tradições, religiões etc.

Todas as críticas feitas em relação à instituição familiar, mesmo as mais absurdas, todas elas, têm fundamentalmente a intenção de melhorar a família.

Esse sentido primário e prático que é a família foi desejado por Deus ao criá-la, com o famoso “crescei e multiplicai-vos”.

A ciência positivista irá, mais tarde, dizer a mesma coisa com outras palavras: “preservação da espécie”.

O segundo sentido mais amplo é a fé em Deus. Existe um misterioso projeto de Deus para a humanidade como um todo, bem como para cada ser humano em particular. Justamente por ser um “mistério de Deus”, não tente entender ou explicar totalmente esse projeto divino.

O mais difícil de compreender é como o mal se encaixa dentro do projeto divino, sendo Deus infinitamente bom. Eu não sei explicar e não sei como funciona, mas, tenho uma certeza interior que é a seguinte: o coração de Deus é como uma usina de reciclar lixo (fornalha ardente de amor, rezará a ladainha do Sagrado Coração de Jesus), que recolhe o lixo do mal que produzimos e o transforma em coisa boa.

Um adágio da teologia clássica afirma que “Deus, até do mal, tira o bem”.

Resumindo: Deus planejou cada um de nós, nos criou e nos colocou nesse mundo para fazermos o bem sempre e fazermos o bem para todos, sem exceção de pessoas, mas, amar a todas as pessoas ao nosso redor, bons e maus, imitando o modo de amar do nosso Pai Celestial. Após a nossa morte viveremos, para sempre, na grande família de Deus, no Céu. Simples assim!

Dom Sevilha, OCD.