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publicado em: 27/01/2019
Dom Sevilha: “Todo Egoísta é Infeliz”

Não sou psicólogo ou psiquiatra, mas, suspeito que a depressão, em alguns casos, é provocada pelo excesso de gordura na alma alimentada pelo egoísmo e pelo orgulho.

A obesidade da alma torna-a cansada e ofegante, sem vontade de fazer nada. O egoísmo e o orgulho são irmãos siameses. O excesso de amor próprio ou endeusamento de si, também conhecido como narcisismo, entope as artérias da alma.

A alma não consegue ter empatia, não consegue perceber e sentir os problemas e sofrimentos alheios. Está sempre, exageradamente, preocupada com os próprios problemas, sejam pequenos ou grandes, não importa, pois, para a alma egoísta, só pelo fato de se referir a si, o trivial torna-se importantíssimo.

Em relação aos outros, ela pensa exatamente o contrário: o sofrimento dos outros não é tão importante e grave assim!

Nascemos, naturalmente, egoístas e, ao longo dos sofrimentos da vida vamos aprendendo a amar. Amar é ajudar a tornar mais leve e suportável o fardo da vida a todas as pessoas ao nosso redor. Isso não é fácil. O nosso natural egoísmo faz com que supervalorizemos o nosso próprio fardo e que fiquemos indiferentes ao sofrimento alheio.

Quando a dor de cabeça é na nossa cabeça é muito dolorosa, mas, quando a dor de cabeça é na cabeça dos outros é “corpo mole”, manha.

O egoísmo tem a triste capacidade de nos tornar infelizes. Quanto mais cuidamos de nós mesmos nos esquecendo dos demais, piores ficamos.

A cultura atual caiu nessa armadilha e está afundando nessa areia movediça. Os nossos jovens estão sendo as maiores vítimas. É assustadora a fragilidade da nossa juventude constatada pelas estatísticas que mostram grande aumento de doenças emocionais em adolescentes e jovens: depressão, ansiedade, síndrome de pânico, suicídio.

Em muitos casos essa fragilidade pode ser curada com dois tônicos da alma: amor e fé. O amor é um tônico que se produz no ambiente familiar, que consiste em proximidade, ou seja, estar com o coração aberto para o outro (seja cônjuge, filhos, pais, sogros, noras, genros, cunhados, tios, primos e agregados); coração aberto na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, todos os dias da vida, até que a morte os separe.

A família é uma missão. Talvez, a mais difícil missão de um ser humano. Creio que muitos namorados e noivos não estão preparados humanamente para formar uma família. Alguns se preocupam somente com a estabilidade financeira e se esquecem do essencial: a família é uma escola de amor onde o ser humano é formado, de verdade.

Pessoas egoístas e individualistas deveriam ser proibidas de formar família. Quando se casa um rapaz egoísta com uma moça egoísta e depois nascem alguns egoistinhas, a tragédia está anunciada.

Alguém poderia argumentar que, ao se casar, as pessoas são forçadas a sair do próprio egoísmo e aprendem a amar. Isso pode acontecer sim, em algumas poucas exceções. Mas, na maioria dos casos, será um casamento fracassado gerando enorme sofrimento, sobretudo para os filhos, que são o elo mais frágil da família.

O ideal é termos famílias sólidas no amor, onde a criança e o jovem experimentem a proximidade amorosa dos pais, no sucesso e no fracasso, nos elogios e nas correções. É assim que irão reproduzir com segurança na nova família que formarão, o bem que vivenciaram na família que os gerou. Ninguém dá o que não tem.

Um dos grandes vilões é o mau uso da internet, que está isolando as crianças e jovens, tornando-as incapazes de proximidade verdadeira e intimidade sadia com as pessoas de carne e osso, inclusive, com os pais que estão fisicamente próximos dentro da mesma casa, mas, de fato, afetivamente, tão distantes.

Os pais se enganam com a falsa tranquilidade de ter os filhos seguros debaixo dos olhos trancados no quarto, imóveis numa cadeira e com os olhos hipnotizados diante de uma tela. Os filhos são criados em uma redoma de fantasia e, obviamente, totalmente despreparados para a dura realidade da vida. Haja ansiedade, haja pânico, haja depressão! Para isso existem dois remédios: amor (proximidade!) e fé.

Dom Sevilha, OCD.