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publicado em: 20/04/2019
FELIZ PÁSCOA - por Dom Rubens Sevilha

    Na Páscoa celebramos o mistério mais profundo e mais importante da nossa fé: a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É verdade que o mistério do nascimento de Cristo é o princípio da nossa salvação. No Natal celebramos o amor de Deus tão extremado que o seu Filho se faz homem para nos salvar. Verdadeiro homem e verdadeiro Deus, recitamos na oração do Creio, que é um resumo da nossa fé.

    Na paixão de Cristo vemos a coerência do seu amor, pois Ele mesmo afirmou que “não há maior amor do que dar a vida por seus amigos” (Jo 15,13) e Jesus “amou até o fim” (Jo 13,1). Nascer, sofrer, morrer faz parte da nossa pobre condição humana e o Verbo de Deus feito homem assumiu em tudo a nossa humanidade, menos o pecado. O desfecho humano da vida de Jesus, isto é, sua humilhante morte resultante da condenação e tortura infligidas pelas autoridades religiosas e civis da época, não poderia ter a última palavra. O mal não pode vencer o bem. A morte não pode vencer a vida.

    Deus, ao ressuscitar Jesus, dá o troco ao mal é à morte que pareciam vencedores. O mal se paga com o bem, havia afirmado Jesus quando caminhava com seus discípulos. Esse é sempre o modo misericordioso de Deus agir: do mal Ele tira o bem, paga o mal com o bem, faz sempre a vida vencer a morte.

    Daqui decorre a humanidade se alegrar profundamente no íntimo da alma e exteriorizá-la com júbilo, festa e aleluias. A palavra aleluia, em hebraico, significa “louvai com júbilo o Senhor”. A causa dessa imensa alegria é saber que nós não estamos sozinhos ou abandonados na nossa pobre e frágil condição humana. No divino-humano de Jesus foi elevada a nossa humanidade na sua divindade. Ao ressurgir Jesus da morte, de algum modo, nós também ressuscitamos com ele. A nossa fragilidade é redimida pela força vitoriosa e onipotente de Deus. Os nossos medos se lançam na luz poderosa de Cristo ressuscitado.

    Logo após a ressurreição, sempre que Jesus se encontrar com seus discípulos, dirá: Não tenham medo. A Paz esteja convosco. A Páscoa, palavra que significa “passagem”, nos mostra que, em Deus, todas as coisas continuamente fazem a “passagem” do mal e da morte para a força do bem e da vida. Ao dizermos que tudo passa, estamos afirmando que tudo é Páscoa, ou seja, todos as coisas são conduzidas pela força onipotente de Deus e, portanto, tudo vai terminar como Deus planejou. Tudo vai terminar bem, algumas coisas já se realizarão nesse mundo e no nosso tempo, outras terminarão bem somente no Céu.

    Infelizmente, nossa cabeça impaciente costuma fixar-se somente na primeira etapa da realidade e afogamo-nos na tristeza, angústia e no medo que os problemas da vida nos colocam. Aqueles que creem na força de Cristo vivo e vencedor ultrapassam seus medos e angústias, confiando no amoroso poder de Deus que transforma em bem e em vida todos os nossos males e mortes. Diante da ressurreição de Cristo, a esperança para nós cristãos não é uma simples ideia ou desejo, ela é um fato concreto. A ressurreição não é um conto simbólico literário ou uma história inventada para nos acalmar. A ressurreição é um fato histórico que nos atinge e nos eleva.

São Paulo vai afirmar que, em Cristo, também nós, pelo batismo, já morremos e ressuscitamos. Claro que nossa limitada inteligência jamais conseguirá entender e explicar todas as profundas e misteriosas ações da graça de Deus na nossa realidade. Quem tem fé sabe. Aqui está um paradoxo: como é possível saber algo que a inteligência não entende ou não tem palavras para explicar. Não sei dizer, mas assim é. A fé é um “saber” que vai além do sentir ou entender com a razão. A fé não é um sentimento ou uma ideia. A fé é também um sentimento e também uma ideia, mas mergulhados em um infinito mistério amoroso que nos envolve chamado Deus.

    A fé não é tanto olhar para Deus, mas é deixar Deus olhar para você. Não é procurar Deus, mas deixar Deus encontrar você. Creio, Senhor, mas aumenta minha fé. Ressuscita-me. Feliz Páscoa!

 Dom Rubens Sevilha, OCD.

Artigo publicado no Jornal da Cidade de Bauru no dia 21 de abril de 2019.