Palavra do Bispo
Jesus Cristo, Rei do Universo

         O Ano Litúrgico termina hoje. No próximo domingo, começa na Igreja o ano novo, com o tempo do Advento que prepara a celebração do Natal.

            A Igreja fecha o ano, toda vez, celebrando festivamente a solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. Resumindo, a Igreja abre o ano com o Natal do Senhor e encerra o ano com o coroamento de Cristo como Rei do Universo.

     O Evangelho da Missa de hoje é lido em João 18,33-37. João afirma categoricamente que Cristo é Rei, embora diga que seu reinado não é deste mundo, portanto, que não segue os padrões humanos cuja razão de ser é operar em função do domínio temporal e político. Seu Reino, explica João, é de outra natureza, seu domínio é espiritual, consiste em testemunhar a verdade para conduzir os homens à verdade suprema. João conta que Pilatos “disse a Jesus: ‘Então tu és rei?’ Jesus respondeu: ‘Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz!’” A verdade é Deus mesmo, e Jesus a revela na morte da cruz por amor. A cruz é a expressão do amor maior de Jesus que deu a sua vida por nós, que, por sua vez, é a revelação mais perfeita da verdade de Deus e sobre Deus: Deus é amor. Em decorrência, João, em Apocalipse 1,5, afirma que Cristo é a “Testemunha fiel, Rei dos reis da terra”. Sem o querer, Pilatos confirma o que disse Jesus, mandando inclusive fixar na cruz em que foi martirizado o título de “Rei dos Judeus”.

         O clima da Liturgia de hoje se caracteriza pela perspectiva da consumação escatológica do mundo e da História. O Enviado de Deus, que veio uma primeira vez, nascendo, vivendo, morrendo e ressuscitando, virá uma segunda vez, no fim do mundo, para reunir os eleitos. Ninguém sabe o dia e a hora, mas uma coisa é certa: a figura desse mundo é passageira e transitória, o céu e a terra passarão, mas as palavras de Jesus não passarão, são definitivas e decisivas. A Pergunta, então, é esta: Nós estamos preparados para esse dia do Senhor? 

            Pois bem, Jesus diz que “quem é da verdade escuta a sua voz”. Nesse reino de opressão, miséria, terrorismo, tragédia, sofrimento, pecado em que vivemos, nós somos capazes de dar testemunho da verdade de Deus, isto é, do amor fiel de Deus por nós, esforçando-nos por construir um reino de amor, de rosto humano e divino que integre em seu seio todos esses irmãos feridos de hoje? A missão de todo discípulo missionário é dar existência ao amor misericordioso de Deus na terra. A misericórdia é diante da miséria do outro um movimento em direção do outro e em favor da sua libertação. Não há misericórdia se não houver miséria e sofredores. Disse o Senhor: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores; pois Eu conheço as suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo” (Ex 3,7). A realidade de hoje comprova, quanta miséria existe entre nós, quantos sofredores em todos os cantos da terra! Por isso, mais do nunca a Igreja deve ser misericordiosa, declara o Santo Padre o Papa Francisco.

O Papa Francisco instituiu para toda a Igreja Católica o Ano Santo da Misericórdia que, em Roma, será inaugurado no dia 8 de dezembro de 2015 e se encerrará no dia 20 de novembro de 2016. Em nossa Diocese a Porta Santa da Misericórdia será aberta em nossa Catedral no dia 20 de dezembro de 2015, na Missa das 10h. O ano de 2016 será um ano inteiro em nossa Diocese para peregrinarmos rumo à Porta Santa, aberta na Catedral e nos Santuários Diocesanos de Nossa Senhora Aparecida e do Sagrado Coração de Jesus, em Bauru, a fim de obtermos a graça da indulgência, visitando essas Igrejas, oferecendo orações e buscando a conversão pelo Sacramento da Reconciliação e a celebração da Santa Eucaristia. Será necessário que acompanhemos estas celebrações com a profissão de fé e com a oração pelo Papa e pelas intenções que trazemos no coração, para o bem da Igreja e do mundo inteiro.

            Na Bula “Misericordiae Vultus” (O Rosto da Misericórdia), o Papa Francisco escreve: “Será, portanto, um Ano Santo extraordinário para viver, na existência de cada dia, a misericórdia que o Pai, desde sempre, estende sobre nós. Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a sua vida. A Igreja sente, fortemente, a urgência de anunciar a misericórdia de Deus” (n: 25).    

             Na Diocese, assumimos como meta para 2016 evangelizar toda gente, no poder do Espírito Santo, como Igreja missionária, misericordiosa e libertadora. Venha você colaborar conosco, a partir da sua comunidade de fé.