Padroeiros

Maria de Nazaré

Data: 25/03


A primeira grande verdade de fé que a Igreja proclama sobre Maria é a de que ela é mãe de Deus. Maria é, fundamentalmente, para os Evangelhos, a mãe de Jesus e a Igreja no Concílio de Efeso , em 431, a proclama solenemente Theotokos = mãe de Deus.
Reconhecer Maria como mãe de Deus significa, de fato, professar que seu filho, o carpinteiro de Nazaré‚ o crucificado, é Filho de Deus e Deus mesmo. Ora, toda mulher é mãe não só do corpo, mas da pessoa toda inteira do filho que gera e traz por nove meses em suas entranhas, alimentando-o depois com o leite produzido e gerado desde dentro de sua própria corporeidade. Não se podendo separar, em Jesus Cristo, a humanidade e a divindade, também não se pode separar, em Maria, a mulher simples de Nazaré‚ e aquela que a Igreja venera e cultua como Mãe de Deus.

Pelo mistério da Encarnação de Deus, mistério central da fé cristã, do qual o mistério da Theotokos é parte integrante, pode-se afirmar que a grandeza e a infinitude do Espírito de Deus só pode ser encontrado na fragilidade, na pobreza e nos limites da carne humana. A carne de Maria, que teceu e formou em suas entranhas, célula por célula, aquilo que seria a carne humana do Verbo de Deus, é parte integrante do mistério da Encarnação.

Muito se tem dito e afirmado sobre o fato de que Deus se encarnou num varão, com vistas a reforçar a supremacia do homem sobre a mulher dentro da Igreja. O conteúdo mais profundo desse mistério central da fé cristã, no entanto, não é que Deus se fez homem , mas que Deus se fez carne , carne humana. . Se no início do processo da geração humana do Verbo de Deus, o Espírito divino é o único artesão a plasmar e tornar grávida a carne intocada de Maria, a lenta, progressiva e paciente tessitura da corporeidade do Verbo já feito carne se dá no ventre da própria Maria. Sua carne vai formando e dando carne ao Verbo de Deus, dia a dia, momento a momento, no misterioso diálogo de corpo a corpo que toca nas raízes mais remotas e profundas da vida.

E essa corporeidade do homem Jesus, formada e tecida nas entranhas da mulher Maria pelo Espírito Santo de Deus, é que andou pelo mundo fazendo milagres, curando enfermos, ressuscitando mortos, multiplicando pães, sendo odiada, perseguida, torturada e crucificada. Anunciando e revelando, enfim, de maneira definitiva e irreversível, a aliança tornada para sempre possível pela misericórdia de Deus entre a carne e o espírito.

No centro do mistério maior que faz a história girar sobre si mesma e se torna Referencial supremo para julgar e avaliar passado, presente e futuro está a carne humana. Carne de homem e mulher. Carne de Jesus de Nazaré‚ Verbo de Deus encarnado pela força do Espírito, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Carne da mulher Maria, corporeidade aberta à invasão do Espírito e à possibilidade humana do corpo de Deus encarnado na história. O Verbo se faz carne na carne humana, carne de homem e mulher, carne histórica marcada pelo espaço e pelo tempo, pela vida e pela morte, pela alegria e pela dor, pela construção e pela destruição, enfim, por essa conflitividade inerente ao ser e à história humanos.

A mulher está , pois, no centro mesmo do mistério cristão, através da pessoa de Maria de Nazaré‚. Não a Maria "iconizada", da qual muito freqüentemente se tentou retirar a carne, transformando-a numa projeção puramente espiritualizada. Mas Maria que desvela em sua pessoa todo o mistério da mulher. Mistério de abertura, de fonte e proteção da vida.Mulher ligada, como toda mulher, e muito mais que qualquer outra, à geração e ao mistério da vida.

Mãe de Jesus, mãe de Deus, Maria é, ao mesmo tempo a revelação plenamente humana de um lado inédito e inexplorado do mistério do próprio Deus, encarnado em seu seio. Deus que é, em Si mesmo , a vida e vida em plenitude, que se compara a si mesmo, na Revelação bíblica, com a mulher que dá à luz e amamenta o filho de suas entranhas (cf. Is 66,13; 42,14; 49,15), mostra Seu rosto em Maria de Nazaré. E é da carne desta mulher que toma Sua carne no Filho Jesus. É este o grande mistério que celebramos a cada Natal.



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