Reportagens Diocesanas
publicado em: 31/08/2019
MÊS DA BÍBLIA - DOM RUBENS SEVILHA

                                                       MÊS DA BÍBLIA

    A Igreja Católica no Brasil propõe, no mês de setembro, que os seus fiéis se conscientizem do lugar especial e central que a Palavra de Deus deve ter na vida do cristão. Todo cristão deve amar profundamente a Bíblia pois ela é a “carta” que Deus escreveu para a humanidade.

    A leitura orante da Bíblia é o melhor modo de ler a Palavra de Deus. Sem a fé a leitura da Bíblia perde o sentido. A Palavra de Deus é o mapa do caminho ou o GPS que nos orienta nas estradas da vida. Os ensinamentos de Deus tornam o cristão sábio e forte e o homem torna-se livre obedecendo a Deus. Paradoxalmente, ao desobedecer fechando-se no orgulho e na arrogância, torna-se escravo de si mesmo e das circunstâncias que o rodeiam.

    A Bíblia nos mostra que tudo o que existe tem um começo, um meio e um final. O mais importante, porém, é que a Palavra de Deus nos mostra que toda a realidade tem um sentido e uma finalidade. Nada acontece por acaso, tudo tem um porquê amoroso de Deus. Na Bíblia encontramos toda a realidade humana, do pior ao melhor e, a cada página de pecado, temos outra de perdão; uma página de maldade ao lado de uma página de misericórdia, uma página de trevas ao lado da página de luz. A página trágica da condenação, tortura e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e, ao lado, a resposta de Deus que foi a extraordinária da Ressurreição de Jesus.

    O trigo e o joio se misturam constantemente ao longo da história, mas o bem sempre vence pois contém no seu íntimo a potência de Deus. Ao meditar a Sagrada Escritura aprendemos a não ter medo do mal, do sofrimento e das tragédias da vida que, aliás, abundam nas páginas bíblicas. Na lama do pecado e no pântano da maldade, nasce o jardim maravilhoso de Deus com as múltiplas flores das virtudes e os vigorosos frutos da bondade.

    A Palavra de Deus proclamada na liturgia de hoje nos fala, sobretudo, de sabedoria, humildade e gratuidade. Sabedoria é diferente de erudição ou inteligência, pois estas são puramente racionais fazendo infinitas conexões entre a lógica e a memória. Futuramente teremos a inteligência artificial. Jamais será possível haver a sabedoria artificial pois esta engloba, além da inteligência racional, também as qualidades interiores da alma: amor, bondade, humildade, verdade, etc. “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor. Para o mal do orgulhoso não existe remédio pois uma planta de pecado está enraizada nele e ele não compreende” (Eclo 3, 19-31).

    A gratuidade é uma virtude quase excluída da nossa cultura mercantilista. Em tudo queremos levar alguma vantagem. Jesus nos diz: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos; pois estes poderiam também te convidar e isso já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Luc 14,12-14). Enquanto a nossa pobre e mesquinha mentalidade prega que quanto mais lucro e vantagem obtivermos, mais felizes seremos, Jesus prega exatamente o contrário: se agirmos com generosidade e gratuidade, então sim, seremos felizes!

 

Bauru, 1 de setembro de 2019

Dom Rubens Sevilha, OCD.