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publicado em: 13/04/2018
Dom Caetano: “Domingo, Dia do Senhor Jesus”

A palavra “domingo” vem do latim “dies dominica” que tem também raiz grega. Traduzindo: dia senhoril ou dia do Senhor. Mas que Senhor? É o Senhor Jesus ressuscitado. É também dia dos fiéis que participam do senhorio do Ressuscitado.

Naturalmente, todos os dias da semana são dias do Senhor, mas o primeiro dia da semana é o Domingo, porque foi neste dia que o Senhor Jesus ressuscitou, derrotando o pecado e vencendo a morte e tornando-se o Deus Salvador e o Senhor da vida. O que o sábado dos judeus significava - a passagem libertadora de Deus que fez Aliança com o seu povo eleito no Sinai, a Páscoa judaica - foi prefiguração da Páscoa de Cristo que sintetiza a passagem de Deus por Jesus Cristo, a este mundo, salvando o homem do pecado e estabelecendo com ele a nova e eterna aliança. Para os judeus era no sábado que eles celebravam semanalmente a sua Páscoa, a passagem de Deus e do povo de Israel. Para nós, cristãos, segundo explica o Concílio Vaticano II, o Domingo é o dia da festa primordial, a Páscoa de Cristo. A Sacrosanctum Concilium afirma que “Por tradição apostólica que tem sua origem do dia mesmo da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o mistério pascal, naquele que se chama justamente dia do Senhor ou Domingo. Neste dia, devem, pois os fiéis reunir-se em assembleia para ouvirem a Palavra de Deus e participarem da Eucaristia, e assim recordarem a paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os ‘gerou de novo pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos para uma esperança viva’ (1Pd 1,3)” (SC n. 106). Prosseguindo neste n. 106, a Sacrosanctum Concilium faz esta peremptória afirmação: “O Domingo é, pois, o principal dia de festa que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fiéis: seja também o dia da alegria e da abstenção do trabalho. As outras celebrações não lhe sejam antepostas, a não ser as de máxima importância, porque o Domingo é o fundamento e o núcleo do Ano Litúrgico”.

 O Evangelho da santa Missa de hoje, terceiro Domingo da Páscoa, é de São Lucas – Lc 24,35-48. O Ressuscitado aparece aos discípulos numa refeição e lhes explica as Escrituras. Eles pensam que estão vendo um fantasma, mas Jesus lhes diz: “Sou Eu mesmo. Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Depois, Jesus pede-lhes alguma coisa para comer. Eles lhe oferecem peixe assado e Ele come diante deles. Então, Jesus lhes diz: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos”. Estas coisas se resumem no que está escrito a respeito do Messias, sobretudo, que deveria sofrer e morrer e, no terceiro dia, ressuscitar. É verdade que o sepulcro foi encontrado vazio, mas o que convencia mesmo foram as suas aparições. Como disse São Pedro, segundo os Atos dos Apóstolos, “Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido, a nós, que comemos e bebemos com Jesus depois que ressuscitou dos mortos” (At 10, 40-41).   

A teologia litúrgica ensina que os cristãos devem ser pessoas dominicais, isto é, que devem viver sua vida em Cristo. Contudo, a Eucaristia dominical que eles participam semanalmente os ajudam, verdadeiramente, a viver no Ressuscitado.

«A cruz desapareceu na noite,
Mas a nossa noite
Foi inesperadamente iluminada por uma nova luz,
Uma luz que não se pode comparar com nada:
Doce e feliz.
Provinha das chagas d’Aquele homem
Recém-morto sobre a cruz;
De repente apareceu no meio de nós.
Ele era a própria luz, a luz eterna,
Esperada desde os tempos antigos,
Esplendor do Pai e salvação do seu povo.
Abriu os seus braços
E falou-nos com uma voz celestial:
‘Vinde a mim todos os que servistes fielmente o Pai e vivestes com a esperança no Salvador;
Olhai, Ele está convosco,
Conduz-vos ao Reino de seu Pai’».

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) | 1891 – 1942
Diálogo Noturno

 

Dom Caetano Ferrari, OFM

Diocese de Bauru