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publicado em: 30/06/2018
Dom Sevilha: “Dona Edna e Seu Juvenal”

Certa vez li no jornal uma notícia linda. Era a história de um casal que estava completando 70 anos de matrimônio. Essa notícia nos surpreende, pois, atualmente, está cada vez mais difícil os casamentos durarem tanto tempo.

A nossa cultura privilegia o “provisório e descartável” e as coisas, inclusive a família, valem enquanto nos dão prazer e satisfação. Fugimos das coisas desagradáveis e nos esquecemos de que faz parte da vida também o “vale de lágrimas”...

Alguém na internet comentou sobre o longevo casamento brincando: “O homem tem que ser surdo, pra aguentar o falatório da mulher durante tantos anos”. Uma mulher retrucou: “E tem que ser cego também pra não ficar olhando rabo de saia!”. Porém, a maioria dos comentários foi: Que lindo! Eu gostaria de chegar lá também!

Igualmente muito interessante, foi o comentário da fotógrafa: "Eu fotografo muitos casais jovens e percebo que eles precisam de uma referência, verem o que é necessário para que um matrimônio dure. Mas eu me surpreendi com tanto carinho e cuidado que um tem com o outro. Os detalhes, o amor entre eles, tudo é muito visível. Acabei me apaixonando por eles, sou recebida na casa deles com bolo, café e muito carinho".

A história do casal começou quando Juvenal Rodrigues Mello, de 89 anos, se encontrou com Edna Soares do Nascimento, de 84 anos, ainda em Simonésia, interior de Minas Gerais, onde nasceram, foram criados e se casaram com a bênção dos pais. Hoje, 70 anos depois, eles têm sete filhos vivos, netos e um bisneto.

Afirmou Juvenal que "em todos esses anos de casados, o amor só dobrou. Levamos uma vida tranquila e alegre. Claro que nós discutimos algumas vezes, mas nunca brigamos. Estamos sempre juntos, nos abraçando, nos beijando e cuidando um do outro. A Edna levanta cedo e ainda leva café com bolo na cama para mim, acredita? Ela cuida com muito carinho de mim". Que Deus continue abençoando Juvenal e Edna e que eles sirvam de exemplo para todos nós e para nossas famílias.

Muitos dizem que hoje a família está em crise. Mas, olhando bem, é o ser humano que está em crise. Afirmam os estudiosos que estamos não numa época de mudanças, mas, em uma mudança de época. Seja como for, de fato, as coisas estão confusas.

Em todo caso, um dado revela que, apesar de tudo, a família não perdeu a sua importância. Observo que nas pesquisas feitas com a seguinte pergunta: “Qual a coisa mais importante para você?” A maioria absoluta, seja de jovens ou adultos, respondeu: A família. O modelo de família mudou, como também seus costumes e organização, todavia, sua importância e necessidade continuam em alta.

Apesar de todas as dificuldades a família é a base de todo ser humano. A família é o chão sobre o qual você continua construindo aquilo que você é. Daqui a importância de uma família sólida.

Sua família não é perfeita, pois nesse mundo houve somente uma família perfeita, a Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Todos sabemos, como narra o Evangelho, que essa única família perfeita enfrentou inúmeros sofrimentos e dificuldades: pobreza, perseguição que a obrigou a fugir para o Egito. A nossa família, que não é perfeita, também terá suas dores e lutas diárias.

A família é uma lenta e contínua construção. O amor é a matéria prima dessa construção e sem ele, o edifício familiar desaba.

O amor se nutre de sacrifícios, afirmava Santa Teresinha. Aqui está a causa principal da crise do nosso mundo: a falta de amor. O egoísmo e o exacerbado individualismo fazem desabar o edifício existencial de muitas pessoas. Vidas em ruinas, literalmente.

Amar não é fácil, pois o amor exige renúncia de si mesmo, muita humildade, paciência e gratuidade na doação de si às pessoas que estão ao seu redor e para com as múltiplas e mutáveis circunstâncias da sua vida.

Quanto mais egoísta e individualista for alguém, mais infeliz será. Pelo contrário, quanto mais esquecido de si mesmo e doado aos outros, mais feliz. Afinal, “há mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35).

 

 D. Rubens Sevilha, Ocd