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publicado em: 29/09/2018
MARIA FRANCISCA TERESA MARTIN

Dom Sevilha, OCD.

Esse é o nome de batismo de Santa Teresinha, cuja festa celebraremos amanhã, dia 1º de outubro. Com alegria vou presidir a Santa Missa nas duas paróquias da nossa Diocese de Bauru a ela dedicadas: no município de Paulistânia às 19h30min e em Bauru às 15h00min. Você está convidado para conhecer essa simpática santinha que afirmou:” vou passar o meu céu fazendo o bem sobre a terra. Vou fazer chover uma chuva de rosas (graças) sobre a terra”.

Santa Teresinha nasceu na França, em Alençon, no dia 2 de janeiro de 1873. Desde muito pequena já pensou em ser freira e escreveu em seu diário: “desde a idade de três anos, comecei a não recusar nada que o Bom Deus me pedisse”.

Aliás, a autobiografia que ela foi escrevendo ao longo da sua curtíssima vida, morreu com 24 anos de idade, tornou-se um livro clássico da literatura espiritual e chama-se: “História de Uma Alma”.

Temos várias fotografias de Santa Teresinha quando criança, adolescente e depois, já como freira Carmelita Descalça. Coisa rara termos fotografia de santos naquela época, pois a fotografia estava apenas nascendo e, mais tarde, foi proibido fotografar as freiras enclausuradas.

Curiosamente, no início, elas consideravam a fotografia como uma nova técnica de pintura. Os retratos pintados com tinta e pinceis sobre tela tinham agora uma nova técnica chamada fotografia. Até hoje colocamos fotografias em “porta-retratos”.

Celina, uma das irmãs de Santa Teresinha, ao entrar também para o Mosteiro das Carmelitas, levou consigo os seus apetrechos para pintura, entre eles a rudimentar máquina de fazer retratos e, providencialmente, temos várias fotografias de Santa Teresinha como religiosa dentro da clausura e, inclusive, uma muito especial, a santa na câmara mortuária.

O mais importante, porém, foi sua vida e seu modo de se relacionar com Deus, conforme descrito por ela mesma em seus manuscritos autobiográficos. Sua mãe faleceu quando ela tinha cinco anos de idade. O pai morreu bem mais tarde. Ambos santos, literalmente santos, canonizados juntos pelo Papa Francisco no dia 18 de outubro de 2015. O dia da festa litúrgica dos pais de Santa Teresinha (Luiz Martin e Zélia Guerin) é o mesmo dia do casamento deles: 12 de julho.

Santa Teresinha quebrou uma regra da rígida clausura das Carmelitas Descalças ao conseguir a permissão dos superiores para entrar no Carmelo antes dos dezoito anos. Ingressou com quinze anos.

Escreveu que entrou para o Carmelo, não influenciada pelas suas duas irmãs mais velhas que lá já estavam, mas, “entrei no Carmelo para salvar almas e rezar pelos sacerdotes”. Ela é a padroeira das Missões.

Naquela época a clausura e a mentalidade religiosa eram muito rígidas. Segunda ela, os retiros espirituais eram uma “tortura”, pois os padres conferencistas, geralmente jesuítas, acentuavam os seguintes temas: Juízo Final, Céu, Inferno e Purgatório.

Na jovem alma de Santa Teresinha, o Espírito Santo estava bordando outro sentimento. Ela só conseguia ver Deus como um Pai amoroso, cheio de bondade e misericórdia, que acolhe os seus filhos pequenos, os abraça e os carrega no colo.

Isso era uma novidade na época, pois o normal era exaltar Deus como um juiz severo, que pune os nossos erros e premia os bons atos. Santa Teresinha viveu esse conflito na sua alma.

Sentia-se pequena e indigna e, consequentemente, se Deus fosse um juiz implacável, ela estaria perdida. Mas, descobriu, sobretudo, na Palavra de Deus, que Deus é amor e Ele ama a nossa pequenez. Santa Teresinha descobriu o caminho: basta confiar loucamente n’Ele (fé), aceitar a própria pequenez (humildade) e colocar amor em tudo o que fizer (caridade).

Ela é santa e recebeu o grandioso título de Doutora da Igreja, não somente pelas ideias novas sobre Deus e sobre o novo modo de relacionar-se com Ele (conhecidos como “Pequeno Caminho”), mas, sobretudo, pela aplicação na vida prática dessas mesmas ideias. Por isso ela é conhecida como a santinha da simplicidade e das pequenas coisas. Viveu uma santidade escondida e feita de pequenos atos, sem grandiosidades, sem aparências, sem milagres, sem êxtases.

Na mesma data de hoje, 30 de setembro de 1897, às 19h20min, após longo sofrimento causado pela tuberculose, com tremenda escuridão na alma, morreu a irmã Maria Francisca Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, conhecida popularmente como Santa Teresinha. Suas últimas palavras foram: “Não morro, entro na vida”.