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publicado em: 29/12/2018
Dom Sevilha: “Tempus Fugit”

O tempo voa! Sobretudo, quando chega o final do ano, nos damos conta de que o tempo passa depressa. Algumas pessoas se apavoram com o avanço da velhice e a aproximação da morte. É o momento em que muitos fazem uma avaliação da própria vida, perguntando-se: “o que foi que eu fiz na vida? Ela foi medíocre? A vida é só isso?”

Para os ateus, cada dia que passa é um dia a menos de vida; a contagem é regressiva e eles pensam que vão, inexoravelmente, caminhando, desesperadamente, para o nada.

Para nós, cristãos, cada dia que passa é um dia a mais de vida. A contagem cristã do tempo é progressiva. A nossa existência começou na eternidade no coração de Deus e terminará na mesma eternidade, nos braços do Pai Celestial.

O nosso tempo de vida nesse mundo nos é dado para realizarmos uma única missão: fazer o bem. Não é fácil fazer o bem sempre e para com todos, sem exceção. É necessário conversão ou reeducação do nosso ser, a vida toda, para conseguirmos, com a graça de Deus, ser bons e fazer o bem. Sem Deus o ser humano não consegue ser bom e fazer o bem sempre e para com todos.

O bonito e ecumênico nome de cristãos une todos os que são chamados por Deus e se decidem a seguir Jesus Cristo, a lutar unidos pela causa de Jesus: a construção do Reino de Deus.

No Brasil temos, estatisticamente, cerca de 90% da população que se autodenomina cristã. Como é possível haver tamanha violência, corrupção e pobreza entre irmãos que se declaram seguidores de Jesus? Infelizmente, essa aparência de cristianismo é somente um verniz.

A vida é sempre uma maravilhosa mistura de coisas boas e ruins: trigo e joio! Mas, sempre temos a sensação de que ficou faltando alguma coisa. E faltou mesmo! Está faltando o desfecho da existência que é a eternidade, o céu.

Cada ser humano que pisou neste mundo foi planejado por Deus, desejado por Deus, criado por Deus. Conclusão: ninguém nasce por acaso ou por acidente. Mesmo naqueles casos em que a mãe ou o pai não queriam aquela gravidez, a vida começa sempre no coração de Deus. Os pais não criam a vida, são intermediários dela. Por isso, Jesus disse que só Deus deve, de fato, ser chamado de Pai.

Deus nos criou para amá-lo e também para amar os seus filhos, nossos irmãos e irmãs. Ele nos colocou neste mundo para fazer o bem. Jesus é o modelo para nós do “verdadeiro homem”; Ele passou fazendo o bem (Atos 10, 36).

Na verdade, amar e fazer o bem são sinônimos. O resultado de quem ama e faz o bem é a felicidade que jorra na alma. Quer ser feliz? Há somente uma maneira de alcançá-la: ser bom e fazer o bem, ou seja, amar.

Obviamente, a felicidade neste mundo é limitada e incompleta! Somente o amor de Deus é completo. Quando atravessarmos a porta da morte e recebermos o doce abraço do Pai, a felicidade será total, plena, eterna.

Se você se sente muito infeliz é porque ainda não está sendo suficientemente bom e fazendo o bem. Comece a ser bom e a fazer o bem nas pequenas coisas cotidianas e a alegria, milagrosamente, começará a brotar, suavemente, no seu coração.

Provavelmente, somente na idade madura, após os cinquenta anos, o ser humano alcança a possível “felicidade estável”, feita de simplicidade e de pequenas coisas. Quanto à felicidade total, que só é possível no Céu, está se aproximando a cada ano que termina. “Tempus fugit”. Feliz Ano Novo!

Dom Sevilha, OCD