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O diálogo inter-religioso

Desde a declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II, a Igreja busca manter o diálogo inter-religioso. Aí surge a pergunta: Por que o diálogo com religiões não cristãs é importante?

Primeiro tenhamos em mente que a paz é o que se espera quando se fala em diálogo inter-religioso, bem como a liberdade que leva ao respeito à crença do outro. O empenho pela paz e pela liberdade religiosa são os principais pontos quando se fala da importância do diálogo inter-religioso.

O essencial de cada religião no processo de diálogo deveria ser a virtude, pois esta contribui para a busca do bem comum. A virtude nos leva à opção pelo respeito ao outro.

A Igreja Católica, ao se apropriar de sua identidade, sem relativizar, não tem prejudicada a sua missão evangelizadora. Sua missão é exercida em obediência ao mandato de Jesus: “Ide por todo mundo, a todos pregai o Evangelho” (Mc 16,15). Nisto não há proselitismo, mas sim o empenho de comunicar o bem encontrado.

Em Paulo VI, estava presente o empenho tanto pelo diálogo quanto para o anúncio: “não deixaria de ter a sua utilidade que cada cristão e cada evangelizador aprofundasse na oração este pensamento: os homens poderão salvar-se por outras vias, graças à misericórdia de Deus, se nós não lhes anunciarmos o Evangelho; mas nós, poder-nos-emos salvar se, por negligência, por medo ou por vergonha, aquilo que São Paulo chamava exatamente ‘envergonhar-se do Evangelho’, ou por se seguirem ideias falsas, nos omitirmos de o anunciar?” (Evangelii Nuntiandi,  80).

O papa João Paulo II também ressaltava a firme consciência de que missão e diálogo não se equiparam no plano da salvação: “uma das razões mais graves para o escasso interesse pelo empenhamento missionário é a mentalidade do indiferentismo, hoje muito difundida, infelizmente também entre os cristãos, frequentemente radicada em concepções teológicas incorretas, e geradora de um relativismo religioso, que leva a pensar que  ‘tanto vale uma religião como outra’” (Redemptoris missio, 36). Diálogo é algo diverso do relativismo.

O diálogo é uma das ações da Igreja em sua missão ad gentes (Dominus Iesus, 22), dizia o então cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da fé, Joseph Ratzinger, hoje, papa emérito Bento XVI.

Papa Francisco também nos conscientiza que anúncio e diálogo não deveriam ser excludentes: “não nos serve uma abertura diplomática que diga sim a tudo para evitar problemas, porque seria um modo de enganar o outro e negar-lhe o bem que se recebeu como um dom para partilhar com generosidade. Longe de se contraporem, a evangelização e o diálogo inter-religioso apoiam-se e alimentam-se reciprocamente” (Evangelii Gaudium, 251).

Assim, no empenho pelo bem comum, a Igreja segue seu processo de evangelização diante das realidades deste mundo, sendo sinal da presença de Deus, no amor e na verdade.

*Padre Edison de Oliveira é membro da Comunidade Canção Nova.