Reportagens Diocesanas
publicado em: 15/12/2015
Padre Marcos Pavan celebra em ação de graças por 10 anos de sua ordenação sacerdotal

Padre Marcos Eduardo Pavan atualmente é pároco da Catedral do Divino Espírito Santo em Bauru e completa 10 anos de doação a Deus e à Igreja.

A Missa em ação de graças por essa década de caminhada na vocação será realizada no dia 16 de dezembro, às 19h30, na Catedral. Toda a comunidade está convidada para participar!

Para relembrar a trajetória do sacerdote, confira a entrevista cedida ao Informativo “A Catedral”.

Por Natália Zen

 

O senhor está completando dez anos de ordenação. Em que momento da sua vida entendeu que sua vocação seria o sacerdócio?

Sempre tive uma ligação com a Igreja, sempre fui de Igreja. Minha vida em paróquia foi na Igreja Santo Antônio, porque ali é o bairro Bela Vista, onde nasci e cresci. Lá fui batizado, fui coroinha, fiz minha primeira comunhão, fui crismado, tenho uma ligação com aquela comunidade. Passado um tempo, em 1996 fui fazer faculdade na USC de Geografia e História e, ao me envolver com a Pastoral Universitária, minha vocação foi amadurecendo mais.

Nessa caminhada, teve algum momento decisivo?

As coisas foram fluindo, fui me envolvendo com a Pastoral Universitária, com o Sagrado Coração. Fui crescendo aí, tendo algumas responsabilidades dentro da Pastoral e da Paróquia Universitária e ali desenvolvendo minha vocação. Tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos missionários no Pará com projetos sociais da USC e essa linha missionária me ajudou muito. Apesar de eu não ser um missionário além-fronteiras, sou um padre diocesano, mas a missão começa onde nós estamos, na nossa família, na nossa casa, nos nossos corações. Tive a oportunidade de conhecer outras regiões mais difíceis, inclusive na questão da religiosidade, e também há muito aprendizado de fé por parte das pessoas que a gente conhece. A partir do sacrifício e da fé que essas pessoas demostram, a gente aprende muito nessa área missionária. Isso ajudou no meu discernimento vocacional: estar ajudando, estar próximo, levar a Palavra de Deus de uma maneira mais incisiva.

Quais foram as principais dificuldades que o senhor teve na missão até agora?

Quando a gente abraça uma vocação, tem suas partes boas e as não tão boas, isso é no casamento, no sacerdócio, na vida profissional. E na vida de padre também. Desde o meu começo, em 2005, até agora, tenho que agradecer a Deus por tudo o que aprendi e passei. Nos momentos que não foram tão bons, procurei entender a situação e crescer, seja no discernimento vocacional, na paróquia, no trabalho pastoral, lidando com as pessoas. Não é fácil lidar e trabalhar com as pessoas, mesmo porque a gente não é fácil, me incluo nisso também! Todos os desafios são um aprendizado, a gente cresce, né!? Sempre que houve um desafio, procurei enfrentar, sustentar a minha vocação e enfrentar o problema. E é claro que a oração é fundamental.

Teve outros recursos para enfrentar essas dificuldades?

Para nós, padres, caminharmos no dia a dia, a vida oracional é muito importante. Apesar de que, às vezes, ela é cerceada pelo excesso de atividades que temos na Igreja. Acho que nesses dez anos de padre, eu devia ter rezado mais, buscado mais a santidade. É interessante que lá atrás eu achava que tinha muito trabalho! Tinha minha paróquia em Gália e meus trabalhos pastorais. Agora como estou na Diocese, a gente tem uma carga de atividades. Hoje, é um desafio para nós, padres, essa questão da oração e de não cair no ativismo. Na nossa vida é oração quem nos sustentam. Mandamos as pessoas rezarem, mas as vezes nós mesmos, padres, precisamos rezar mais.

Temos um padre amigo, um diretor espiritual que nos ajuda, que você pode se abrir e conversar. O próprio bispo, apesar de ser o superior, é aberto a esse diálogo. Há algo que costumamos dizer entre nós: “amigo de padre é padre” porque entenderá as angústias ligadas ao sacerdócio. E é claro, há a comunidade. Sem ela, não somos nada. Principalmente os padres diocesanos, somos preparados para estarmos nas paróquias.

Lá atrás o senhor tinha a possibilidade de escolher entre ser um padre diocesano ou um padre religioso. Por que ser um padre a serviço da Diocese?

Temos os padres religiosos, ligados a uma Congregação, e os padres diocesanos ou seculares, ligados a Diocese. Cresci em uma paróquia religiosa ligada aos franciscanos, a Santo Antônio. Fiz encontro vocacional no chamado Rogate, dos Rogacionistas. Mas na hora da decisão, pensei: “Eu posso ajudar a minha Igreja Diocesana”. A minha Diocese, a minha cidade estava precisando de padres. Seria uma maneira de estar ajudando e de pertencer à cidade de Bauru. Para mim é uma graça muito grande.

Quais são as lições no dia a dia que o senhor tem aprendido?

São muitas. A vida nos ensina muitas coisas que a gente não aprende nos bancos escolares ou no seminário. É na prática que a gente vai aprender a ser padre. Lá temos uma teoria, uma base teológica, filosófica, humana, que é importante, mas é no dia a dia que aprendemos. Sempre vai ter uma paróquia que vai ser “cobaia”, que vai acolher o padre novo. No meu caso, logo que me ordenei, fui transferido para Gália. Atendi, por três anos, as cidadezinhas de Gália, Fernão e Avaí. Depois vim transferido para a Catedral, que é outra realidade.

Como padre, tenho aprendido a ser mais tolerante, a acolher mais, a trabalhar mais com a comunidade no sentido da misericórdia, mas tenho que eu primeiro vivenciar em mim, senão não adianta, será um proselitismo. Há coisas que já fiz que não faria mais, que teria mais paciência, porque o padre fica bravo ou nervoso também e responde de maneira ríspida. Penso que hoje eu faria de uma maneira diferente. É um amadurecimento, é conversão diária: faz parte do nosso sacerdócio. E o padre que não muda fica para trás.

O padre não tem a paternidade biológica, mas há aquela espiritual. Como o senhor lida com isso?

Realmente não somos casados, temos os votos de celibatário. Mas não vejo isso como uma dificuldade para entender as famílias, pois viemos de uma também, com dificuldades, problemas, alegrias e tristezas. No dia a dia, atendo muitas famílias, muitos casais, pois estou bastante envolvido com a Pastoral Familiar.

Na prática, não tenho esposa e filhos, mas viemos de uma família e observamos muito as questões de modo a ajudar e trazer para essas pessoas uma experiência de oração. Na direção espiritual, na prática oracional eu posso colaborar. Uma vez, ouvi de um padre: “Já pensou se todo cardiologista precisasse ter um infarto para aprender a lidar com o coração?”

Quais são as atividades que o senhor exerce hoje em serviço à Igreja?

Sou pároco da Catedral, assessor da Pastoral Familiar, um dos coordenadores da Equipe de Nossa Senhora, um movimento grande, trabalho com casais ali também. E a Pastoral Familiar vem com alguns pacotes: os noivos e os casais de segunda união. Também tenho uma função na Diocese que é o economato, isto é, coordenar a parte administrativa, financeira, contábil.

Diante de todas as funções que o senhor exerce, existe algo que tem mais apreço?

Os Sacramentos, em geral, a gente gosta de celebrar. A Missa, que é o ápice para nós, eu celebro todo dia. Temos duas Missas diárias e três no domingo. Também os batizados. Mesmo os Casamentos, que eu já não estou gostando muito, não pelo sacramento em si, mas o que virou hoje a cerimônia, algo muito social. Também a Confissão é uma graça muito grande de estar conversando com as pessoas, orientando. A Unção dos enfermos, levando esse alento, esse carinho ao doente que está no hospital ou acamado. O resto faço por obediência e por amor à causa, para ajudar a Diocese.

O senhor consegue fazer uma atividade física, ler um jornal.... Como é o padre Marcos no cotidiano?

Tento organizar meu horário. Começo o dia celebrando Missa e vou até a noite. Mas tento reservar um horário para fazer uma caminhada, pois me ajuda bastante. Também costumo ir em uma academia no Bela Vista. Fiz uma cirurgia um tempo atrás, de redução de estomago, então preciso, até para manter o meu peso. O padre tem que ter um cuidado especial consigo, senão fica doente. Aí não pode servir mais. Estou tentando me disciplinar para que tenha um tempo para mim. De segunda-feira geralmente é a folga do padre, mas eu sempre encaixo alguma coisa. Estou tentando deixar a parte da manhã e tarde para um descanso, um passeio, para ter uma qualidade de vida melhor e que o estresse não prejudique.

Soube que sua mãe é evangélica. Como é o relacionamento com ela? É possível ter ecumenismo?

Sempre falo que meu ecumenismo começa dentro de casa, a “casa comum” que é o ecumenismo. Minha mãe é da Igreja do Evangelho Quadrangular, uma das igrejas pentecostais. E me dou muito bem com ela. Apesar de hoje ela não estar frequentando tão assiduamente, pois teve um período de depressão. Mas ainda tem uma ligação com a igreja. Mas ela vem à Missa, participa comigo. Há um diálogo tranquilo, ela me apoia, sempre me apoiou, desde que fui para o seminário. Também tenho um bom relacionamento com o pastor da igreja dela, que é meu amigo.

Esta década de sacerdócio não deixa de ser uma festa. Se o senhor pudesse pedir um presente pra Jesus, qual seria?

Eu pediria a Ele que me desse mais força e coragem para continuar no meu sacerdócio.