Reportagens Diocesanas
publicado em: 08/06/2019
PENTECOSTES - POR DOM RUBENS SEVILHA, OCD

    A palavra pentecostes, de origem grega, significa “cinqüenta” pois cinquenta dias após a Ressurreição de Jesus aconteceu o envio do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos em oração, com Maria, a Mãe de Jesus (At 1,14; 2,1-11). O texto bíblico narra que o Espírito Santo se manifestou com um vento muito forte e como línguas de fogo pousando sobre a cabeça de cada um deles.

A origem da palavra espírito, em hebraico, tem o significado de vento, sopro, hálito. Na primeira página da Bíblia, o Deus criador ao soprar seu hálito de vida divina sobre um punhado de pó da terra, cria o homem. O hálito de Deus (espírito) deu vida e dignidade infinitas ao insignificante e frágil pó da terra. O próprio Senhor irá declarar como sua imagem e semelhança aquele que antes era somente terra.

    Até hoje carregamos um tesouro em vaso de argila. Todos vivemos a dualidade do Espírito de Deus em nós que nos faz desejar e buscar o que é eterno e infinito e, ao mesmo tempo, ter que conviver diariamente com a rotina, a transitoriedade e a pequenez da existência. É como se o pé da nossa alma calçasse 41 e a vida nos obriga a usar 39. A leveza do Espírito envolto na nossa primitiva rudeza carnal nos faz bailar pela vida a fora como bailarinos obesos.

    Pentecostes nos recorda a fiel e amorosa presença do Espírito de Deus soprando continuamente sobre cada um de nós e sobre toda a história humana. Deus é o Senhor da história. Às vezes, o sopro de Deus é uma brisa suave e mansa, outras vezes um vento forte que tudo derruba. Deus cria, conduz e cuida de todas as coisas. Nós somos somente operários na vinha do Senhor, somos servos e, na maioria dos casos, servos inúteis ou servos maus e preguiçosos...

    Quanto mais o homem se afasta de Deus, mais ele vai ficando sem ar. Sem Deus o mundo fica irrespirável. Muitos abandonam o límpido e puro ar de Deus, para respirar outros ares poluídos e tóxicos. Há muita fumaça de satanás solta por aí. Muitos estão sem fôlego para enfrentar a luta da vida. Jesus “soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo20,22). O sopro de Jesus revigora nossa fé e, portanto, nos fortalece na luta da vida. Um dos sete dons do Espírito Santo é o dom da fortaleza. Nenhum ser humano tem o direito de desanimar da vida. Se nós fôssemos órfãos abandonados, jogados na vida, aí sim poderíamos desanimar, mas, jamais, seremos órfãos, pois temos um Pai que é Deus e  temos Maria, a mãe de Jesus e nossa também.

    As línguas de fogo remetem à luz e ao calor. O fogo serve para iluminar, aquecer e queimar. O Espírito de Deus é luz que ilumina os nossos passos e, também, ilumina os caminhos da história. Não caminhamos a esmo e ao acaso, mas todos somos conduzidos pelo Espírito no amoroso e misterioso projeto do Pai. Nada acontece por acaso. Não existe acaso. Tudo tem um porquê de Deus. Quem se afasta da luz de Deus, caminha no escuro. Muitos conduzem a própria vida como os andarilhos de beira de estrada. Eles caminham o dia inteiro de lugar algum para lugar nenhum. Assim, muitos de nós caminhamos apressados, ansiosos, preocupados com os inevitáveis problemas para resolver e, se nos perguntam para onde está indo a nossa vida, literalmente, somos como andarilhos de beira de estrada caminhando sem rumo. O resultado final desses andarilhos será o cansaço, o desânimo, o tédio. O cristão sabe que a realidade toda tem um rumo e uma direção: Jesus, caminho verdade e vida! (Jo 14,6).

    O Espírito de Deus é fogo que aquece o coração da existência. Sem Deus a alma esfria e a vida torna-se gelada. A tristeza é gelada, o amor é quente. O mal é frio, o bem é caloroso. A morte é fria, a vida é ardor. A escuridão é fria, o Espírito de Deus é luminoso fogo de amor!

                  Dom Rubens Sevilha, OCD.

Artigo de 9 de junho de 2019.

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