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Pentecostes - por Frei Luiz Iakovacz

Pentecostes

A festa de Pentecostes, já era conhecida entre os mais diversos povos da antiguidade. Durante o inverno, semeavam cereais (trigo, aveia, centeio e outros); com a chagada da primavera, floresciam e, passado algum tempo, fazia-se a colheita. Os agricultores festejavam o fruto do trabalho, cultuando suas divindades com a oferta dos primeiros frutos (primícias). É o Pentecostes...

O povo de Israel a chamava de Festa das Semanas porque, após sete semanas (= 49 dias), segue-se o quinquagésimo (= 50 dias = Pentecostes). A Bíblia diz: “celebrarás a festa do fruto de teu trabalho, mas os primeiros feixes os levarás à casa de Javé, teu Deus” (Ex 23,16.19).

Com o passar dos anos, a Tradição Judaica acrescentou-lhe a renovação da Aliança. Após a libertação do Egito, onde o povo foi escravizado durante 430 anos (Ex 12,40), a esperança voltou no meio do povo, como se fosse uma primavera. O ponto culminante deste processo libertador aconteceu no Monte Sinai, com o Código da Aliança (cf. Ex 19,1 – 24,11). Os mandamentos são como que a Carta Magna de Israel, mas que é, também, inerente à todo  ser humano, seja cristão ou não.

O Pentecostes cristão (cf. At 2, 1 - 41), onde o Espírito Santo é identificado com vendaval e línguas de fogo, é o coroamento da obra de Cristo e, ao mesmo tempo, é ponto de partida para a missão. Ele mesmo ordena aos apóstolos: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai o cumprimento da promessa do Pai, da qual ouvistes falar: ´João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias´... Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até os confins do mundo” ( At 1, 4. 8).

A partir disso, os cristãos, de ontem e de hoje, são uma Igreja que evangeliza, pois o próprio Cristo diz aos apóstolos: “Tenho muitas coisas a dizer, mas não podeis compreender agora. Quando vier o Espírito Santo, ele vos ensinará toda a verdade. Tomará do que é meu e vo-lo anunciará” (Jo 16, 12-14).

Por conseguinte, se estivermos atentos aos seus apelos e abraçarmos, com ardor, o anúncio do Evangelho, a efusão do Espírito Santo fará “arder nossos corações” (Lc 24, 32).  Então, o Pentecostes acontece todo o dia e “renovará a face da terra”.

Você sabia?!

O nome do Estado do Espírito Santo começou assim: em 1534, o governo português doou a Vasco Coutinho uma grande área de terra (capitania). Quando este desembarcou no Brasil, trouxe consigo 60 homens aventureiros e fundaram a Vila Espírito Santo (atual Vila Velha), pois era o dia de Pentecostes. Foram tão hostilizados pelos índios que mudaram-se para uma ilha e, ali, fundaram a Vila Nova (atual Vitória, capital do Estado).

Frei Luiz Iakovacz (franciscano que foi pároco da Igreja Santa Clara em Bauru)