Reportagens Diocesanas
publicado em: 15/05/2018
Posse Canônica de Dom Rubens Sevilha, OCD como Bispo da Diocese de Bauru

Pe. Luiz Eduardo Monteiro Fontana.

Paróquia de Santa Catarina de Alexandria

Arealva.

Posse Canônica é neste domingo, dia 20.

O clero e o povo cristão, todos reunidos na Catedral do Divino Espírito Santo, no dia em que a Liturgia celebra a Festa de Pentecostes deste   20 de maio, ano do laicato em 2.018.

Reunidos para agradecer a Deus a apostólica presença de Dom Rubens Sevilha, OCD, agora entre nós e para pedir ao Espírito, que continue a iluminar nossa Igreja Particular, sob seu pastoreio, para que de pé apascente o rebanho na fortaleza e nobreza do nome do Senhor.

São os nossos votos, prezado Sr. Bispo, Dom Rubens, nossas preces e nossos desejos.

Será por certo esta, uma ocasião feliz para, à luz de textos do Novo Testamento, refletirmos no que é o bispo e qual a sua função.

Naquela triste despedida dos presbíteros de Mileto, São Paulo, sabendo  que não mais lhe veriam o rosto, fez-lhes sua última recomendação: “Tomai conta de todo o rebanho, no qual o Espírito Santo vos colocou como bispos para apascentar a Igreja de Deus” (Atos,20,28). Duas palavras nos dão o sentido do recado: rebanho e apascentar. São Paulo mostra que o bispo é pastor, a quem é entregue a missão de apascentar o rebanho dos fiéis.

Faz eco a esta recomendação de Paulo a palavra de Pedro na primeira epístola (2,25): “Vós éreis ovelhas errantes, agora, porém vos voltastes para o Pastor e Bispo de vossas almas”. Pastor e bispo são sinônimos no texto de São Pedro. Este texto nos esclarece sobre o que é o bispo: é o pastor; e sobre sua função nas comunidades cristãs: velar pelo rebanho, como Cristo Jesus, que no Evangelho de João (10,11) se apresenta como o Pastor por excelência, o bom pastor.

O bom pastor, é sempre o indormido defensor das ovelhas. Vive para elas. Alimenta-as e as conduz. Este é o perfil do bispo-pastor, que Deus colocou à frente de seu rebanho.

Na Epístola aos Hebreus, os membros da hierarquia são designados por expressão do vocabulário militar, aplicada ao general que chefia os soldados. “Lembrai-vos dos vossos chefes - ”praepositorum” diz o latim - que vos anunciaram a palavra de Deus (Hb.13,7). E logo mais, o autor acrescenta: “Obedecei ao vossos chefes...porque eles zelam por vossas almas” (Hb.13,17). A eles é que o autor desta Carta manda saudar, no final: “Saudai os vossos chefes” (v.24).

O chefe da comunidade é visto aqui como encarregado de comandar e conduzir, como modelo a ser imitado, fielmente obedecido, respeitosamente acatado e isto, com alegria, facilitando-lhe o cargo.

Na atual cultura, um tanto avessa aos que assumem cargos de mando, a linguagem dos Hebreus pode não agradar. Mas a compreensão cristã da missão de governo não é nem será a da autoridade despótica, tirânica ou inflexível. É só lembrar a figura modelar de Jesus, Mestre e Senhor, lavando os pés dos apóstolos numa lição ímpar de humildade, para compreendermos que na Igreja de Cristo, a autoridade, que existe e deve existir, apascenta – como diz São Pedro – não por força nem por dominação, mas com amor, como serviço, como modelo do rebanho (1 Pedro 5,2). “É por isso que o Apóstolo prenuncia, aos que assumiram generosamente o cajado de pastor, a coroa imarcescível da glória, que o justo Juiz lhe há de dar” (1 Pedro 5,4).

O Apocalipse de São João nos relata a visão onde se vê sete candelabros de ouro e, no meio deles Aquele que estava morto, mas agora vive, olhos refulgentes, cabelos “algodoados”, cuja voz parecia o som das cataratas torrenciais. Na mão direita pousavam sete estrelas, que são os anjos das sete igrejas às quais João escreve. (Apoc.1,9 ss).

Duas metáforas para designar o bispo: Estrela que ilumina. Anjo que vela, proteje, aponta as direções. Eis o bispo.

Policarpo, bispo de Éfeso, no final do século segundo, narra a lembrança , que tinha do apóstolo João,que presidia a liturgia, trazendo na fronte a mitra dourada, insígnia do sacerdócio, imitação do sacerdócio judaico. Isto nos leva à descrição da liturgia celeste ao redor do trono de Deus: vinte e quatro presbíteros oficiantes  em vestes brancas, na cabeça o diadema de ouro. Esta liturgia celeste é vista sob o modelo da liturgia cristã, como era celebrada nas comunidades. Os hinos que João coloca nos lábios dos oficiantes do céu eram por certo os que se cantavam na liturgia da época (Apc. 4,4).

Dom Rubens, pastor,chefe e anjo da Igreja de Bauru. Assim o vemos neste feliz dia de Pentecostes, da Posse Canônica, cercado de seus padres – seu presbitério – embalado pela harmonia dos cantos. Deus o conserve, unido ao seu clero, mitra de pontífice, cajado de pastor, anjo de olhar atento, para santificar os irmãos, para conduzir as ovelhas do Senhor, para zelar sobre o povo de Deus. Nesta hora no céu, os serafins estão cantando AMÉM.