Palavra do Bispo
Preparar os caminhos

           No Evangelho da Missa deste 2º domingo do Advento - Lc 3,1-6 - o evangelista Lucas fala de João Batista e da sua missão. Conforme ele afirma, João, o filho de Zacarias, recebeu a Palavra de Deus, no deserto, que lhe ordenava que anunciasse a vinda do Senhor e convidasse as pessoas a se prepararem para bem acolher o Senhor que vem. Por isso, João percorreu toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Lucas aplicou a João o cumprimento de uma profecia de Isaías que anunciava a vinda do Salvador: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus”.

            Preparemo-nos, caro leitor e leitora, para o Natal com uma vida de mais oração, de melhores obras, de conversão espiritual e de disciplina comportamental para evitar, como ouvimos no Evangelho do domingo passado, a perda da sensibilidade moral por causa da embriaguez, gula e preocupação excessiva com a vida, e outras más inclinações quanto aos costumes. 

            Peço a sua licença, irmão e irmã de fé, para repercutir as boas graças que recebemos de Deus com a realização da Assembleia Diocesana anual realizada no domingo passado nas dependências da USC. Como acontece todo ano, a Assembleia é um encontro do Clero com lideranças das 41 Paróquias dos nossos 14 municípios. Iniciamos a Assembleia com a celebração da Eucaristia, cuja Liturgia do primeiro domingo do Advento nos prepara para o Natal, mas com o propósito de render graças a Deus por nossa caminhada pastoral em 2015 e de suplicar bênçãos e luzes divinas do Divino Espírito Santo, nosso Padroeiro, para 2016. Num clima de oração, confraternização e alegria, definimos em Assembleia como desejamos trabalhar em 2016. Primeiramente afinamos o nosso objeto geral da Ação Evangelizadora da Diocese, tendo em vista priorizar os objetivos do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia proclamado pelo Papa Francisco para toda a Igreja Católica em 2015-2016. Em segundo lugar, apontamos pistas de ação para cumprirmos uma das 4 metas estabelecidas no nosso 8º Plano Diocesano de Pastoral, a da renovação paroquial, em vista de transformar cada Paróquia numa Comunidade de comunidades, “através de sua setorização em unidades menores, tendo à frente uma equipe de coordenação integrada por leigos e leigas e, dentro dos setores, a criação de comunidades de famílias”.

Assim sendo, fixamos, com precisão, à luz do Ano Santo da Misericórdia, que o objetivo da Evangelização de nossa Diocese em 2016 é “Evangelizar, na força do Espírito Santo, como Igreja misericordiosa, missionária e libertadora/salvadora”. Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, é oferecer a todas as pessoas a vida nova em Cristo. O Documento de Aparecida já dizia que Jesus é a vida de nossa vida. Nele temos vida humana, vida nova, vida eterna plena e feliz. Jesus liberta e salva. A missão misericordiosa liberta e salva, ela está a serviço da vida na história e para a eternidade. Cura e levanta os caídos. Defende os direitos humanos, a justiça social e luta pelas condições básicas da vida: comida, casa, escola, emprego etc. Mas também, anuncia a Deus que salva pelo perdão dos pecados e concede a graça que conduz à vida eterna e divina.

Três palavras, ou melhor, três conceitos ricos de significado bíblico e teológico, devem marcar nossa caminhada em 2016 e encabeçar nossos discursos, nossas pregações e nossas ações: Misericórdia, Missão e Libertação/Salvação.  

O Papa Francisco dirige-se a nós, que somos filhos e filhas da Igreja de Cristo, convidando a transformar-nos em verdadeiras testemunhas da amorosa misericórdia divina, professando-a e vivendo-a, pois ela é a palavra chave que indica o agir de Deus para conosco e o centro da revelação de Jesus Cristo. Por isso, conclama o Papa, sejamos, verdadeiramente, “missionários da misericórdia, anunciadores da alegria e do perdão misericordioso do Pai” junto ao nosso povo. Seu apelo é para toda a Igreja, como afirma “que aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é da capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha”. Onde a Igreja estiver situada, ela deve transformar-se em “oasis de misericórdia”, arremata o Papa. Muitos são os feridos no mundo de hoje, os pobres, marginalizados, doentes, atribulados, pecadores etc. No tempo em que Jesus viveu entre nós, cheio de compaixão, mostrou para com toda essa gente sofrida o mistério do amor divino, realizando em seu benefício os abundantes sinais de libertação e salvação, conforme os vemos registrados nos Santos Evangelhos.

É o Papa Francisco quem deseja e por nós reza a Deus para “fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença”.   

Mãos à obra, convertamo-nos em missionários da misericórdia.