Regimentos

IMPLANTAÇÃO DO DIACONADO PERMANENTE NA DIOCESE DE BAURU

 

INTRODUÇÃO

 

1.       A Igreja toda e todos na Igreja estão a serviço do mundo, para realizar a obra da salvação. Ela reconhece que o ministério eclesiástico foi instituído por Cristo e desde os tempos apostólicos, exercido pelos bispos, presbíteros e diáconos (cf. LG 28). Portanto, é de instituição divina. Cristo confere aos Apóstolos os poderes e as atribuições inerentes à vida e à ação da Igreja. Cabe, pois, à Igreja, estabelecer os espaços dessa participação no ministério sacramental. O Presbiterado e o diaconado, desde o início, são considerados inerentes ao sacramento da Ordem, que tem a sua plenitude no episcopado (LG 21).

 

2.       Cada um dos três graus faz parte do único sacramento da Ordem e exprime, de modo oficial e público, o tríplice ministério de Cristo: Profeta, Sacerdote e Pastor. Se, de um lado, a diaconia, a exemplo de Cristo, é comum a todos os cristãos, de outro, constitui a essência do ministério diaconal. Por esse motivo, já no seu início, a Igreja valorizava o carisma e a missão dos diáconos. Pela imposição das mãos do bispo, ele recebe, publicamente, de modo irrevogável e definitivo, o mandato e a missão do serviço.

 

MISSÃO ESPECÍFICA DO DIÁCONO    

 

3.       Segundo o Concílio Vaticano II, aos diáconos “são-lhes impostas as mãos, não para o sacerdócio, mas para o ministério” (LG 29).

 

4.       A missão do diácono está ligada ao Cristo-Servo. Ele coloca em evidência e potencializa, para todo o povo de Deus, a dimensão de serviço. Sua veste característica é a estola, que lembra a toalha do lava-pés, gesto de atitude diaconal de Cristo.

 

5.       O diaconado é sacramento da caridade, no sentido amplo. Historicamente, as funções dos diáconos têm sido múltiplas, mas todas elas marcadas pelo caráter do serviço eclesial.

 

6.       O diaconado é uma vocação e, como tal, deve ser acolhido e cultivado pela Igreja. É um dos graus do Sacramento da Ordem.  “Fortalecidos com a graça sacramental, os diáconos servem ao povo de Deus na diaconia da liturgia, da Palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e o presbítero” (LG 29).

 

7.       O diácono, antes de ser servidor da Palavra, é discípulo e ouvinte. Com freqüência, fará a leitura meditada e orante da Sagrada Escritura, que é a escuta humilde e cheia de amor daquele que fala. A missão evangelizadora do diácono não se restringe à homilia ou ao anúncio da Palavra no contexto litúrgico. Como anunciador da Palavra, ele dá, antes de tudo, o testemunho de um ouvinte assíduo e convicto do Evangelho.

 

8.       O diácono permanente tem, na Igreja e com a Igreja, o grande desafio da missão que é, sobretudo, ir ao encontro de todos. “Jesus percorria todas as cidades e aldeias...” (Mt 9,35), ia às casas e sinagogas, para levar a sua palavra e a sua misericórdia (Lc 8,40-42.49-55). Esta é, ainda hoje, a missão da Igreja. O diácono permanente tornará visível a sua presença, colocando-se sempre a serviço da missão e dos projetos missionários, que a Igreja Particular de Bauru assume.

 

9.        Os diáconos, “como ministros do povo de Deus, são chamados a trabalhar com a ação litúrgica, com a atividade didático-catequética e com o serviço da comunidade em comunhão com o bispo e com o presbitério” (João Paulo II). O diácono define-se como sacramento de Cristo-Servo e como sinal da Igreja-servidora.

 

DIRETRIZES PARA O DIACONADO NA DIOCESE DE BAURU

 

10.   Com este documento, inicia-se a implantação do Diaconado Permanente na Diocese de Bauru.

 

11.   Serão chamados para o diaconado permanente, homens provados na fé e na vida cristã, preferencialmente casados, com famílias bem constituídas, participantes na sua comunidade paroquial e que já venham exercendo algum ministério ou serviço há, pelo menos, três anos.   

 

12.   Procure o diácono exercer equilibradamente os três serviços ministeriais: o serviço da Caridade, o da Palavra, e o da Liturgia. Conforme os carismas pessoais e as exigências pastorais de um momento histórico determinado, ele poderá enfatizar um ou outro desses ministérios, sem descurar os demais. Deve sobressair, entretanto, no ministério diaconal, o zelo pelo trabalho de promoção humana. Por isso, o diácono permanente terá como campo privilegiado de sua ação, as pastorais de serviço voltadas à promoção humana.

 

13.   Os diáconos permanentes, de acordo com a sua capacitação, poderão ser nomeados para a coordenação ou assessoria das pastorais específicas, de movimentos, associações, diaconias territoriais e ambientais e outros organismos da Igreja.

 

14.   Para ser ordenado, o candidato deverá ter, no mínimo, trinta e cinco anos.

 

15.   Os diáconos permanentes assegurarão sua própria manutenção e a de sua família, através do exercício de uma profissão civil.

 

16.   Princípio fundamental que deve ser observado pelos diáconos e também pelos presbíteros, é o de nunca onerar a família no exercício do ministério. A disponibilidade, a bondade e o desapego do diácono não podem ser motivo de relaxamento ou descuido, na hora de arcar com as despesas motivadas pelo trabalho pastoral.

 

17.   O presbítero, em cuja paróquia atua um diácono, cuide de não sobrecarregá-lo com tarefas pastorais, tendo presente que ele, em geral, é esposo, pai de família, homem de trabalho e que, portanto, sua atividade é limitada por natureza.

 

18.   O espírito de comunhão e co-responsabilidade no ministério ordenado urge que os diáconos tenham participação garantida nas assembléias diocesanas, nas reuniões do clero, retiros e convivências.

 

19.   Os diáconos participem, se possível com suas esposas, de um retiro espiritual anual.

 

20.   São critérios para a escolha dos candidatos: disponibilidade, estabilidade de vida, casamento estável, concordância da esposa, capacidade de trabalho em equipe, liderança,  grande amor por toda a Igreja, desejo de construir a comunhão e, pelo menos, cinco anos de vida matrimonial.

 

21.   Os candidatos devem apresentar os seguintes documentos: certidão de Batismo e de Crisma, certificado de conclusão do ensino médio, atestado de saúde expedido por médico indicado pela Cúria Diocesana e, se forem casados, consentimento de sua esposa, certidão de casamento civil e certidão de casamento religioso.

 

ETAPAS DA FORMAÇÃO

 

22.   A caminhada para o exercício do diaconado permanente começa pelo discernimento vocacional, através do qual, o candidato, auxiliado pelo promotor vocacional, busca compreender a vontade de Deus a seu respeito e como responder, com generosidade e autêntico espírito de fé, a essa mesma vontade.

 

23.    O discernimento vocacional se faz, levando em conta as necessidades da Igreja, as vivências do candidato na realização da missão eclesial, o parecer do pároco, depois de ouvir o Conselho Paroquial de Pastoral e o chamamento do Bispo Diocesano.

 

24.   Na etapa inicial de implantação do diaconado permanente, um sacerdote será nomeado para a promoção vocacional e para o acompanhamento dos candidatos, no seu discernimento e processo formativo. Futuramente, essa incumbência poderá ser confiada a uma comissão diocesana de diáconos permanentes.

 

25.   O itinerário da formação deve começar por um período propedêutico, com uma duração conveniente, segundo um plano bem estruturado. Neste, deve haver um destaque para os encontros de oração, momentos de reflexão, orientados a ajudar a objetividade do discernimento vocacional.

 

26.   Todo o itinerário formativo, desde o propedêutico, é aberto à participação da esposa do candidato.

 

27.   Em vista do amadurecimento integral e harmônico do futuro diácono e do bom exercício de seu ministério, serão articuladas e desenvolvidas, desde o início do processo formativo, as dimensões: humano-afetiva, eclesial-comunitária, intelectual, espiritual e pastoral.

 

28.   No que se refere à formação intelectual, a preparação deverá ter uma carga mínima de 1.000 horas/aula e um tempo mínimo de três anos. Não estão incluídos aí o período propedêutico, os retiros e os dias de encontros espirituais, as experiências pastorais, as celebrações e as instituições dos ministérios.

 

29.   Constituem matérias do curso, conforme o Doc. 74 da CNBB, pg 83-84:

 

- SAGRADA ESCRITURA: Introdução, História de Israel, Pentateuco, Profetas, Livros Sapienciais, Palestina no Tempo de Jesus, Evangelhos Sinóticos, Epístolas Paulinas, Literatura Joanina.

 

- TEOLOGIA DOGMÁTICA: Revelação, Cristologia, Trindade, Eclesiologia, Mariologia, Antropologia, Escatologia, Virtudes Teologais, Graça.

 

- TEOLOGIA MORAL: Moral Fundamental, Moral Pessoal, Moral Matrimonial, Moral Sexual e Bioética, Moral Social, Doutrina Social da Igreja.

- LITURGIA E SACRAMENTOS: Introdução à Liturgia, Sacramentos, Homilética, Teologia do Diaconado.

 

- HISTÓRIA DA IGREJA: Patrologia e Patrística, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea, América Latina, Brasil.

 

- PASTORAL: Teologia Pastoral, Pastoral Familiar, Administração Paroquial, Planejamento Pastoral, Técnicas de Liderança e Animação, Comunicação e Meios de Comunicação Social, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso.

 

- DIREITO CANÔNICO: Introdução ao Código de Direito Canônico, Direito Sacramental, Direito Matrimonial, Bens Eclesiásticos.

 

- ESTUDOS DA REALIDADE ATUAL: Estudos de Problemas Brasileiros, Visão Política e Econômica do Mundo Moderno.

 

30.   A aceitação do candidato e a sua participação no processo formativo não lhe conferem o direito de vir a ser ordenado diácono permanente, no futuro, ao final do curso. A ordenação dependerá da avaliação do candidato, durante todas as etapas da formação.

 

AVALIAÇÃO

 

31.   Os candidatos ao diaconado serão avaliados de forma global, não somente quanto às suas habilidades intelectuais mas também quanto à formação integral, abrangendo as dimensões: humano-afetiva, eclesial-comunitária, intelectual, espiritual, pastoral-missionária.

 

32.   Em relação ao aspecto acadêmico, sejam os candidatos avaliados no tocante ao aproveitamento do conteúdo estudado. O método de avaliação seja participativo.

 

33.   Os formadores não temam postergar ou mesmo negar a entrega dos ministérios àqueles que não estejam suficientemente preparados.

 

34.   Serão realizados os escrutínios prévios à admissão ao diaconado. As consultas serão feitas mediante proclamas na comunidade de origem e nas comunidades de inserção do candidato, e parecer dos diáconos e presbíteros da Diocese.

 

35.   Antes da ordenação diaconal, os candidatos deverão ser instituídos nos Ministérios de Leitor e de Acólito e exercê-los por um período conveniente.

 

36.   A ordenação diaconal será divulgada em todas as paróquias da Diocese, tanto quanto uma ordenação presbiteral, pois constitui um acontecimento de toda a Igreja Particular.

 

EQUIPE DE FORMAÇÃO

 

37.   A equipe de formação será assim constituída: bispo, coordenador do curso, diretor espiritual, coordenador diocesano da pastoral, professores e demais colaboradores. Atuará de forma integrada, fazendo ressaltar a diversidade e a complementaridade dos dons e tarefas de cada um de seus membros, num espírito de comunhão fraterna e em estreita relação com o presbitério e a comunidade diocesana.

 

 

FORMAÇÃO PERMANENTE

 

38.   A formação permanente incluirá encontros periódicos do Bispo com os seus diáconos. Abrangerá, de forma integrada, as dimensões humano-afetiva, intelectual, eclesial-comunitária, espiritual e pastoral-missionária. Essas dimensões, acentuadas e amadurecidas no processo formativo, deverão ser constantemente avaliadas e revigoradas, ao longo da vida e do ministério do diácono.

 

39.  Os diáconos permanentes deverão participar das assembléias diocesanas, dos encontros de atualização, do retiro do clero, das celebrações litúrgicas mais significativas. Compete ao Bispo Diocesano dispensá-los, havendo causas justas.

 

ANEXO I - AVALIAÇÃO

 

·          A avaliação será contínua (processual), abrangente (envolvendo  as   dimensões  humano-

-afetiva, eclesial-comunitária, intelectual, espiritual e pastoral) e participativa (com representantes de todos os segmentos envolvidos na formação, desde o período propedêutico).

 

·          Os instrumentos, diversificados e adequados às diferentes etapas e dimensões da formação e às matérias do curso, serão utilizados para diagnóstico (avaliando a proximidade ou o distanciamento do candidato na consecução dos objetivos do curso e em face do perfil delineado  previamente para o diácono).

 

·          Paralelamente, deve ocorrer um processo de recuperação ou reforço nos aspectos formativos considerados essenciais e não atingidos satisfatoriamente, conforme os resultados das avaliações.

 

·          Rol de instrumentos que poderão ser selecionados e/ou construídos, conforme objetivos visados, a(s) dimensão(ões) a ser(em) abrangida(s), a etapa de formação a ser avaliada:

o         observações dirigidas, entrevistas individuais e coletivas

o          fóruns/debates

o          cinefóruns

o         provas orais, escritas, exames

o         simulações

o         dramatizações

o         estudos de casos

o         relatórios

o         participação em seminários

o         pesquisas bibliográficas e de campo

o         vivências (retiros, encontros, ...)

 

·          Os formadores também deverão ser avaliados pelos formandos, por seus pares, superiores e outros que estiverem envolvidos no processo, direta ou indiretamente.

 

·          Articulação teoria-prática.  Avaliar, concomitantemente, teoria e prática (para obtenção do nível de práxis atingido).

 

·          AUTO-AVALIAÇÃO