Notícias
publicado em: 06/04/2019
UNIDOS E FELIZES - Por Dom Rubens Sevilha, OCD

Se perguntarmos aos pais qual é o maior desejo deles em relação aos seus filhos, a resposta da maioria absoluta deles será: que meus filhos sejam unidos e felizes. Se perguntarmos ao nosso Pai do Céu qual é a vontade dele em relação a nós seus filhos a resposta também será: que eles sejam unidos e felizes.

    Toda a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, narra o desejo e o agir de Deus para tornar toda a humanidade unida e feliz. O projeto de Deus, infelizmente, está sendo obstaculizado pelo mal. O demônio quer a humanidade desunida e infeliz. Parece que está conseguindo alguma vitória.

    A união ou a paz não acontecem espontaneamente. O Papa Francisco tem nos recordado que a paz é um trabalho artesanal. A união entre nós só acontece verdadeiramente quando está presente o amor ou sua tradução concreta que é a bondade. Todo amor verdadeiro tem sua raiz em Deus, pois Deus é amor. Portanto, sem Deus é impossível haver paz ou união, seja no interior do coração, seja entre as pessoas, seja entre os povos.

    A paz interior ou harmonia do coração só se consegue com muita luta e sacrifício. Sem Deus não o conseguimos. Nosso orgulho misturado com a nossa pequenez geram a guerra interior da alma. Uma coisa é combater o bom combate, outra é a guerra das paixões, desejos e ambições desordenados do coração. A paz, a união, enfim, o amor, não se constrói com a névoa dos sentimentos ou emoções baratas e desejos bonitos. Muito menos se constrói com sentimentos ruins, com emoções descontroladas e desejos medonhos.

    A paz ou união entre os indivíduos e os povos constrói-se com muita paciência, diálogo e respeito profundo pelas pessoas que cruzarem nosso caminho. Quem tem fé sabe que cada ser humano que passa na sua frente é um irmão ou irmã, um filho de Deus, imagem e semelhança d’Ele, templo do Espírito Santo, morada de Deus. O cristão não olha somente a casca da aparência, a casca da inteligência ou da personalidade, ou a casca das emoções. Olha sobretudo a alma onde Deus habita. A rigor, cada ser humano é um sacrário vivo onde Deus deveria ser reverenciado. Todas as vezes que vocês fizeram isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizeram (Mt 25, 40). Caso houvesse um mínimo de cristianismo na vida das sociedades, não seria necessário falar em Direitos Humanos. Infelizmente, ao se afastar do amor de Deus, muitos até perdem a própria humanidade e, consequentemente, são desumanos com seus semelhantes.

    A paz, a união ou o amor, geram felicidade. Alguns esperam a felicidade como quem espera ganhar na loteria sozinho. Felicidade não depende de sorte, pois Deus quer a felicidade para todos os seus filhos e filhas. Deus nos dá todos os meios e instrumentos para plantar as sementes da paz, da união ou do amor. Deus manda a chuva da sua misericórdia sobre a terra da nossa existência. Cabe a nós fazermos a nossa parte, isto é, arregaçar as mangas da alma, deixar a preguiça de lado e partir para a luta.

Quando no Pai Nosso, conforme Jesus nos ensinou, pedimos para que a vontade dele seja feita assim na terra como no céu, temos consciência sobre o conteúdo da vontade de Deus, ou seja, o que Deus quer? Resposta: Deus quer que sejamos unidos no amor, em paz e, consequentemente, felizes. Jesus nos ensinou a rezar todos os dias pedindo ao Pai que a sua vontade de felicidade se realize entre nós.

    Na reta final da quaresma, aproximando-nos da Páscoa, cabe a pergunta: você está se esforçando verdadeiramente para construir a paz e a união dentro de si e ao redor de si? Em outras palavras: você é feliz?

 Dom Rubens Sevilha, OCD.

Artigo publicado na coluna "Conversando com o Bispo" no Jornal da Cidade de 7 de abril de 2019.