Palavra do Bispo
Vocação do Leigo cristão

            Como venho lembrando, agosto é todo ele um mês vocacional. Para recordar: primeiro domingo, dia do padre, nos remete à vocação para os ministérios ordenados de diácono, padre e bispo; segundo domingo, dia dos Pais, nos leva à vocação para a vida em família e à sua missão no mundo; terceiro domingo, dia do religioso e religiosa, aponta para a vocação à Vida Consagrada masculina e feminina, ativa e enclausurada; quarto domingo, hoje, dia do Leigo Cristão, temos a considerar a vocação dos leigos cristãos na Igreja e no mundo; último domingo, dia nacional do Catequista, contemplaremos a vocação e a missão dos Catequistas.

             O Santo Padre o Papa, São João Paulo II, publicou a Exortação Apostólica “Christifideles Laici”, os Fiéis Leigos, para aprofundar a doutrina do Concílio Vaticano II sobre os leigos, sublinhando a peculiaridade de que são chamados à santidade, vivendo no mundo, como seculares, e ao serviço pastoral, como colaboradores corresponsáveis na construção da Igreja-comunhão e na ação missionária da Igreja-missão. Cito para a sua leitura o trecho da Exortação, no qual o Papa parte do Vaticano II para dizer quem são os fiéis leigos:

            “‘Por leigos – assim os descreve a Constituição Lumen Gentium, Luz dos Povos, do Concílio Vaticano II – entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão’. Já Pio XII dizia: ‘Os fiéis, e mais propriamente os leigos, encontram-se na linha mais avançada da vida da Igreja; para eles, a Igreja é princípio vital da sociedade humana. Por isso, eles, e sobretudo eles, devem ter uma consciência, cada vez mais clara, não só de pertencerem à Igreja, mas de ser a Igreja, isto é, a comunidade dos fiéis sobre a terra sob a guia do Chefe comum, o Papa, e dos bispos em comunhão com ele. Eles são a Igreja...’ Segundo a imagem bíblica da vinha, os fiéis leigos, como todos os outros membros da Igreja, são vides vivas e vivificantes. A inserção em Cristo através da fé e dos sacramentos da iniciação cristã é a raiz primeira que dá origem à nova condição do cristão no mistério da Igreja, que constitui a sua mais profunda ‘fisionomia’ e que está na base de todas as vocações e do dinamismo da vida cristã dos fiéis leigos: em Jesus Cristo morto e ressuscitado o batizado torna-se uma ‘nova criatura’, uma criatura purificada do pecado e vivificada pela graça. Assim, só descobrindo a misteriosa riqueza que Deus dá ao cristão no santo Batismo é possível delinear a ‘figura’ do fiel leigo”.   

            Neste mês, a Liturgia nos convida a rezarmos, suplicando a Deus que suscite sempre mais, no seio de nossas famílias, vocações para as diversas necessidades e missões na Igreja e no mundo. Particularmente, hoje, nos convida a rendermos graças a Deus pelo testemunho de fé, dedicação e serviço dos fiéis leigos em nossas comunidades, e a pedirmos bênçãos e graças por todos eles e elas e suas famílias.  

             O trecho evangélico da Missa - Jo 6, 60-69 – fecha o capítulo sexto de João que põe em realce o Discurso de Jesus sobre a Eucaristia. Jesus começou multiplicando cinco pães e dando de comer a cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças, para declarar que não só deste pão vive o homem. E que Ele tinha outro pão a dar: “O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”. Enfatizou: “Aquele que come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna”. Por causa do que acabavam de ouvir, muitos dos discípulos voltaram atrás e não mais seguiam a Jesus, segundo relata João. Então, Jesus voltou-se para os Doze e lhes disse: “Não quereis também vós partir?” São belíssimas, diria eu belíssimas e comoventes que valeriam para uma semana de retiro espiritual, as palavras ditas por Simão Pedro: “Senhor, a quem iremos? Só Vós tendes palavras de vida eterna, e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus”. 

            A Eucaristia é o maior presente visível que Jesus deixou para nós, neste mundo: “Tomai e comei... Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes seu sangue, não tereis vida em vós”.

            Tenho pena dos cristãos que não descobriram o valor da Eucaristia, ou porque ninguém lhes falou sobre ela ou porque não demonstramos que somos ‘criaturas novas’ pelo Batismo que recebemos e pessoas ‘cristificadas’ pelo corpo do Senhor que comungamos.