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Dom Canísio Klaus - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)
Vovô e Vovó!

Entre outras datas importantes, o mês de julho nos reserva o Dia dos Avós. A data é comemorada em 26 de julho, quando a Igreja celebra São Joaquim e Santa Ana, os avós maternos de Jesus Cristo.

 Para muitos de nós, homens e mulheres com mais de 40 anos de idade, as figuras do vovô e da vovó ficaram guardadas como símbolos de afeto e de ternura. Enquanto os pais se preocupavam em nos impor os justos limites, os avós nos mimaram com singelos regalos. Poucas vezes ouvimos deles palavras mais duras de repreensão ou desaprovação, apesar de não concordarem com muitas das coisas que nós fizemos.

As gerações mais novas já estão tendo outra relação com os avós. Muitas das crianças e jovens de hoje estão sendo educados pelos avós. Enquanto os pais trabalham ou se ocupam com outras coisas, os filhos ficam aos cuidados do vovô e da vovó. Isto é mais visível ainda quando as crianças são filhas ou filhos de mães solteiras ou pais separados. Neste caso, muitas vezes, cabe aos avós suprirem o papel da mamãe e do papai. E aí a relação dos netos com os avós se torna, praticamente, uma relação filial.

A relação entre filhos e pais ou netos e avós, costuma ser bastante tranqüila enquanto os avós (idosos) são auto-suficientes. As complicações costumam aparecer no momento em que eles necessitam de ajuda ordinária ou se tornam dependentes. Neste momento, os avós deixam de ser serviçais e se tornam “peso” para filhos e netos. E é aí que se mede, verdadeiramente, o amor filial ou o amor aos avós.

Em muitos casos, os filhos e netos se unem e passam a cuidar os idosos com carinho e afeto. Fazem isso de forma gratuita, ou na consciência de que “chegou a hora de retribuir aos pais e avós o muito que eles fizeram por nós”. Mas, existem também casos, e estes infelizmente, sempre mais numerosos, em que os idosos passam a ser relegados a um canto separado da casa ou abandonados em asilos. Enquanto os filhos e netos vivem despreocupadamente, os “velhos”, assim chamados, sofrem a solidão e o abandono. E, pior ainda, em alguns casos os filhos se apropriam dos proventos da aposentadoria dos pais para suprirem outros gastos.

Ciente destas situações, Francisco, desde o momento da sua eleição para Papa, vem alertando a sociedade sobre a importância de cuidar dos idosos. Ao desembarcar no aeroporto de Quito no domingo passado, afirmou mais uma vez o seu desejo de “levar a ternura e o carinho de Deus especialmente aos seus filhos mais abandonados”. Entre estes citou, em primeiro lugar, os idosos “que são vítimas da cultura do descarte”.

Façamos das comemorações do Dia dos Avós um tempo de graça para nos convertermos ao cuidado amoroso e filial dos tantos idosos que convivem conosco! Que o Bom Deus abençoe nossos vovôs e nossas vovós!

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)